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Projeto antirracista de escola de Palmeira é selecionado para feira nacional

Iniciativa desenvolvida por estudantes da Escola Graciliano Ramos representará Alagoas na FeNaDANTE, em São Paulo

Por Ascom Seduc 16/06/2026 12h12
Projeto antirracista de escola de Palmeira é selecionado para feira nacional
A iniciativa levou cerca de 20 estudantes a mergulharem em oficinas e processos criativos - Foto: Kaique Pacheco/ Ascom Seduc

O combate ao racismo estrutural, à discriminação e à violência nas relações cotidianas ganhou espaço nas salas de aula da Escola Estadual Graciliano Ramos, em Palmeira dos Índios, por meio de debates e encenações. Agora, essa experiência de arte e conscientização rompe as fronteiras de Alagoas: o projeto “Teatro do Oprimido na Luta Antirracista”, desenvolvido pelo grupo teatral da escola, “Os Loucos Também Amam”, foi selecionado para a Feira de Ciências e Tecnologia das Nações (FeNaDANTE), promovida pelo Colégio Dante Alighieri, que acontece de 21 a 25 de setembro, em São Paulo.

Utilizando a metodologia do Teatro do Oprimido, criada pelo dramaturgo brasileiro Augusto Boal nos anos 1970, a iniciativa envolveu cerca de 20 estudantes em oficinas e processos criativos. O impacto, porém, foi além do grupo: as apresentações e debates mobilizaram mais de 400 pessoas entre Palmeira dos Índios e o município vizinho de Estrela de Alagoas.

O teatro como voz

Para os integrantes do projeto, a seleção é resultado de meses de dedicação intensa entre estudos, ensaios e organização. A estudante Sâmylla Macêdo, de 17 anos, relata a emoção da conquista: "Ficamos extremamente honrados e orgulhosos. Ver todo esse esforço sendo reconhecido e saber que conseguimos uma oportunidade tão incrível para levar esse projeto tão lindo lá para fora é algo muito especial para nós", afirma.

A jovem, apaixonada pela arte dramática, destaca que o palco se tornou ferramenta essencial para dar leveza e profundidade a um tema sensível e urgente. "O teatro quebra barreiras e traz para o mundo uma maneira muito linda de se expressar. Acredito que ele traz a voz do que precisa ser escutado e demonstra da maneira mais clara o que é estar no lugar do outro", completa.

Além das apresentações em ambientes urbanos, o grupo levou a peça “Terra de Alguém” ao povoado Jurema, na zona rural de Estrela de Alagoas, promovendo discussões sobre racismo ambiental e a defesa dos territórios tradicionais.

Transformação e impacto

O projeto provocou mudanças profundas na rotina e na percepção dos próprios alunos em relação ao cotidiano.

"Fazer parte do projeto foi um marco na minha vida, principalmente por conseguir enxergar com mais nitidez tantas coisas que acontecem no nosso dia a dia e passam despercebidas. Minha vontade de sempre tentar melhorar aumentou. Evito brincadeiras que machucam e procuro aconselhar aqueles que talvez nem tenham essa consciência", reflete Sâmylla.

Para o professor Anderson Gomes, coordenador do grupo “Os Loucos Também Amam”, o amadurecimento dos alunos dentro e fora da sala de aula é o maior indicador de sucesso do trabalho coletivo. "Essa seleção demonstra que a escola pública produz conhecimento de qualidade e que nossos jovens têm muito a contribuir para os debates nacionais sobre educação, cultura e direitos humanos", ressalta.

Sobre a FeNaDANTE

Em sua 8ª edição, a FeNaDANTE é uma Feira de Ciências e Tecnologia que busca divulgar pesquisas de pré-iniciação científica desenvolvidas por estudantes de escolas públicas e particulares de diversas regiões do Brasil e de outros países.

A iniciativa incentiva o desenvolvimento de projetos dentro das instituições de Ensino Básico, promovendo maior envolvimento dos alunos com a produção científica em diferentes áreas do conhecimento.