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MPF aponta falhas na água do Rio Santo Antônio
Vistoria em usina no Litoral Norte identifica parâmetros irregulares e investiga impactos ambientais e mortandade de peixes
O Ministério Público Federal (MPF) em Alagoas realizou vistoria na Usina Santo Antônio, localizada em São Luís do Quitunde, para apurar impactos ambientais relacionados à atividade industrial e à situação do Rio Santo Antônio.
A inspeção ocorreu na quinta-feira (23) e integra inquéritos civis que investigam episódios de degradação ambiental, incluindo a mortandade de peixes registrada nos últimos anos. A apuração também considera os efeitos sobre comunidades pesqueiras que dependem diretamente do rio.
Durante a visita, o MPF teve acesso a análises da qualidade da água em diferentes trechos do Rio Santo Antônio. Os resultados indicam índices fora dos parâmetros estabelecidos pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), tanto no período de safra quanto na entressafra.
O monitoramento é realizado quinzenalmente e encaminhado ao Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA), responsável pela fiscalização ambiental no estado.
A usina apresentou medidas adotadas após acordos firmados com o IMA, com foco no controle de efluentes industriais. Entre as ações estão o reaproveitamento de água no processo produtivo e a utilização de resíduos tratados na fertirrigação.
Também foram informados investimentos no sistema de tratamento de efluentes. Apesar disso, o MPF afirmou que ainda aguarda a conclusão de perícia técnica própria para avaliar a efetividade das medidas implementadas.
Segundo o órgão, a situação do Rio Santo Antônio não pode ser atribuída a um único fator. Entre os problemas apontados estão a ausência de saneamento básico em áreas próximas, o despejo de esgoto doméstico e a redução do volume de água em períodos de estiagem.
Esses fatores, combinados, agravam a qualidade da água e impactam o equilíbrio do ecossistema local.
O MPF também cobrou maior diálogo entre a usina, o poder público e as comunidades tradicionais da região. Pescadores locais dependem diretamente do rio para subsistência e geração de renda.
A avaliação do órgão é que a falta de comunicação e transparência dificulta a construção de soluções para os impactos registrados.
A equipe vistoriou ainda uma área de preservação mantida pela usina, onde são desenvolvidas ações de recuperação ambiental, como recomposição de mata ciliar e recuperação de nascentes.
Apesar das iniciativas, o MPF reforçou que a solução para os problemas do Rio Santo Antônio depende de atuação conjunta entre empresas, órgãos ambientais e poder público.
*Com informações do MPF


