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IMA/AL esclarece migração do Rio Jacarecica como fenômeno natural

O órgão declara que monitora o curso, e que as águas mudam de direção constantemente

Por Agência Alagoas 26/03/2026 10h10 - Atualizado em 26/03/2026 10h10
IMA/AL esclarece migração do Rio Jacarecica como fenômeno natural
Com imagens de geoprocessamento, IMA faz levantamento sobre o processo de migração do Rio Jacarecica - Foto: Ascom IMA

O recente comportamento da foz do Rio Jacarecica, em Maceió, tem gerado preocupação entre moradores da região. Imagens de geoprocessamento analisadas pelo Instituto do Meio Ambiente do Estado de Alagoas (IMA/AL) confirmaram que a migração do rio é um fenômeno natural, resultado de fatores ambientais e dinâmicas costeiras.

Segundo a equipe técnica do IMA, a migração da foz é influenciada pela vazão do rio, que aumenta em períodos de chuva, e por dinâmicas oceânicas, como ondas, marés e marés de tempestade. Há ainda a chamada deriva litorânea, fenômeno que movimenta areia e sedimentos ao longo da costa, provocando o deslocamento da foz.

“O IMA tem feito o monitoramento dessas alterações sazonais da foz do rio”, explica Ricardo César, coordenador de Gerenciamento Costeiro do IMA. “Ao longo das últimas décadas, observamos que o rio migra bastante, tanto para o Norte quanto para o Sul, pois se trata de uma região de grande instabilidade e a foz não é um ponto fixo. Já registramos migrações de até 800 metros para o Norte; atualmente, a foz está 350 metros ao Sul.”

A migração de fozes é observada também em outros rios da capital, como o Sauaçuhy, que já migrou cerca de 1,5 quilômetro em direção ao Norte, paralelamente à praia.

Urbanização e planejamento

O processo de urbanização, de acordo com o especialista, não interfere diretamente na migração da foz, mas, com a continuidade do fenômeno, há riscos para estruturas públicas e privadas já existentes. Isso exige planejamento urbano, principalmente para a faixa Norte da região.

“Para mitigar esses impactos, é fundamental preservar o ecossistema de manguezal. A migração pode causar o colapso de estruturas e a consequente contaminação da zona costeira por resíduos dessas ruínas”, alerta Ricardo.

Para conter processos erosivos, a Prefeitura de Maceió realizou obras de contenção na margem norte do rio, devidamente licenciadas pelo IMA/AL após estudos sobre as dinâmicas costeira e fluvial.

“O IMA conta com uma equipe multidisciplinar, composta por setores de licenciamento, laboratório, geoprocessamento e gerenciamento costeiro, que monitoram a região e produzem documentos para subsidiar o município de Maceió em ações de planejamento para uma ocupação sustentável das margens”, ressalta o coordenador.

Contaminação da água

A poluição do Rio Jacarecica também preocupa a população. Por ser um rio urbano, nascido no bairro Benedito Bentes e cortando mais de 12 quilômetros de área urbanizada, o Jacarecica vem apresentando queda na qualidade da água, segundo monitoramento do Laboratório de Estudos Ambientais do IMA/AL.

“Ocupações desordenadas às margens do rio favorecem o lançamento clandestino de esgoto e o escoamento de resíduos urbanos para o Jacarecica, o que tem impactado negativamente a qualidade da água nos últimos anos”, destaca Ricardo César.

O IMA reforça a necessidade de políticas públicas municipais para ordenar as ocupações e criar projetos de coleta de esgoto. O Instituto monitora a qualidade da água na foz e divulga relatórios semanais sobre a balneabilidade da praia para a sociedade.