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Sismógrafo em Craíbas: pesquisador descarta risco de afundamento de solo

Estação sismográfica ficará no município pelos próximos seis meses; pesquisa vai identificar o que está por trás dos tremores

Por Willyam Miranda* 11/02/2026 17h05 - Atualizado em 11/02/2026 18h06
Sismógrafo em Craíbas: pesquisador descarta risco de afundamento de solo
Parte da equipe que está participando do estudo em Craíbas - Foto: Cortesia

O município de Craíbas, localizado a 145km da capital Maceió recebeu, na terça-feira (3), a instalação de uma estação sismógrafica nos arredores da Mineradora Vale Verde (MVV). O instrumento será responsável pelos estudos sismográficos na região após registro de tremores, rachaduras nas casas e barulhos ocasionados devido a atividade mineradora pela comunidade local. 

As regiões mais afetadas pela ocorrência estão localizadas nos sítios Lagoa do Mel, Pau Ferro e Torrões.

Segundo o pesquisador Willian Almeida, mestrando em Geografia na Universidade Federal de Sergipe (UFS), os tremores na região de Arapiraca e Craíbas começam a ser registrados em 2021, data que coincide com o início da atividade mineradora na região. 

''Hoje Arapiraca e Craíbas já somam mais de cem registros de tremores cada, ocasionalmente ao meio-dia, horário das detonações da Vale Verde'', disse.

Sem riscos de afundamento de solo

De acordo com o pesquisador, o caso não é semelhante ao ocorrido em Maceió. Isso quer dizer que não há riscos de afundamento de solo em Craíbas.

''A geologia do agreste é totalmente diferente de Maceió, não havendo riscos de afundamento de solo, além disso, a mineração opera de forma superficial no solo, diferente de Maceió onde a mineração é subterrânea'', explicou.

Na segunda-feira (2), a sociedade civil e os representantes da equipe de pesquisa da Universidade Federal d Ouro Preto (Ufop), do Instituto do Meio Ambiente (IMA) e da Defesa Civil, se reuniram para falar sobre os locais de instalação da estação e seu funcionamento, assim como levantamentos e ocorrências registrados pela Defesa Civil.

A expectativa é que o equipamento auxilie a comunidade na descoberta da causa dos tremores e rachaduras.

O funcionamento da estação

 O Jornal de Alagoas apurou que a pesquisa entregará resultados nos próximos seis meses. Foi firmado um acordo entre o IMA e a Defensoria Pública da União (DPU). Os estudos serão conduzidos pela equipe contratada da Ufop, com liderança do professor Carlos Enrique Arroyo Ortiz. O time conduzido por Arroyo contará com estações sismográficas, equipamento de microssísmica e extensômetro.

A operação é financiada pela empresa, e ao longo dos seis meses, o monitoramento ocorrerá de uma estação on-line, de forma ininterrupta nos sete dias da semana, rodando pelas regiões afetadas pela atividade da mineração. Ao fim do prazo, será divulgado o resultado que definirá se os tremores tem relação com a mineração.

A ideia do estudo é monitorar as vibrações naturais e induzidas pelas detonações realizadas pela MVV. A estação se encontra, até o momento, na região do sítio Lagoa do Mel.

Questionado sobre o benefício que o equipamento pode trazer à população, o pesquisador enfatizou que a instalação do simógrafo foi comunicada aos craibenses e que a pesquisa vai descobrir o que está por trás dos tremores.

"O importante que nós podemos saber realmente quais são os níveis de vibração, quando se tem as detonações e quando não tem. O importante mencionar é que as regiões de Arapiraca e Craíbas têm a presença de cinturões e áreas onde os laboratórios vêm registrando movimentos sísmicos. A instalação do equipamento já foi comunicada à sociedade civil", destacou o professor Carlos Enrique Arroyo.

Esclarecimento

A reportagem entrou em contato com o IMA para saber o posicionamento do órgão sobre o assunto. A entidade informou que não é responsável pela execução do estudo e que a Vale Verde Mineração (MVV) é responsável por custear integralmente a ação.

Confira na íntegra a nota completa do Instituto:

O Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA) informa que não é responsável pela execução do estudo, atuando apenas no acompanhamento, junto à Defesa Civil e à Agência Nacional de Mineração (ANM). A data de instalação do sismógrafo ainda não está definida, pois depende da chegada dos equipamentos e da equipe técnica.

A instalação do sismógrafo em Craíbas integra um estudo sismográfico a ser desenvolvido pelo Laboratório de Sismologia (LABSIS), da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), como desdobramento de uma Ação Civil Pública movida pela comunidade do entorno da mineração, por meio da Defensoria Pública da União (DPU).

O estudo tem como objetivo avaliar possíveis impactos da atividade mineradora, como detonações, tremores de terra e danos estruturais em imóveis. O IMA acrescenta que a Vale Verde Mineração (MVV) é responsável por custear integralmente o estudo, colaborando apenas com a disponibilização de dados quando necessário, garantindo a independência dos resultados. Também zelando para que todas as intervenções garantam a segurança da população, da fauna e da flora locais.

*Estagiário sob supervisão