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Moradores do Pinheiro questionam valores dos imóveis propostos pela Braskem

Por Redação com Com Tribuna Hoje 05/05/2021 13h01
Moradores do Pinheiro questionam valores dos imóveis propostos pela Braskem
(Foto: Edilson Omena)

O Ministério Público Federal (MPF) apura reclamações de proprietários de imóveis no Pinheiro que reclamam dos valores apresentados nas propostas da Braskem. De acordo com relatos dos proprietários segundo tem havido perdas de no mínimo 12% entre as primeiras propostas e as atuais. Por questões de sigilo das negociações, os moradores ouvidos pela reportagem preferiram não se identificar para não comprometer o andamento das tratativas.

O proprietário de um imóvel no Pinheiro, elaborou uma pesquisa entre imóveis do mesmo padrão que o seu em outros bairros similares e também de outras quinze propostas anteriores apresentadas para outras pessoas pela Braskem. Segundo ele, as perdas vão de 12% a 24%.

“Todos estamos revoltados, tive uma reunião, a Braskem ridiculariza nossos imóveis, usa a força que esse acordo lhe transferiu para propor valores bem, mas bem abaixo da média de 15 propostas que ela mesmo fez a outros moradores. Falo de valores propostos por ela. Tenho compilado em dados estatísticos 15 propostas da Braskem. A Braskem não apresenta os valores referentes a terreno e área construída. Em relação ao valor praticado no mercado, o metro quadrado em fevereiro de 2021 era de R$ 2.434,28. A perda em relação ao metro quadrado proposto pela Braskem é de R$ 481,90 (-24,47%). A média referente a 15 propostas Braskem é igual a R$ 2.235,04, a Perda em relação a média das propostas Braskem é de R$ 282,66 ou  (-12,64%)”, aponta o morador.

De acordo com outra moradora que também preferiu não se identificar, a diferença tem ocorrido também entre as propostas.

“A Braskem vem sim reduzindo drasticamente o valor do metro quadrado edificado em suas propostas”, afirma.

Procurada, a Braskem informou que vários critérios são utilizados para a confecção do valor das propostas. “Para o cálculo da compensação financeira, a Braskem utiliza como referência o valor de imóveis semelhantes, por exemplo, imóveis com as mesmas dimensões e que estejam situados em bairros que possuem as mesmas características. São também consideradas as benfeitorias, que são relevantes para determinação do padrão construtivo do imóvel e que são somadas ao valor do imóvel. Além disso, a Braskem não considera depreciação dos imóveis. A empresa avalia os pleitos trazidos pelos moradores e, se comprovada a necessidade de uma nova análise, as propostas são revistas”, diz a empresa em nota.

Ainda de acordo com a Braskem, os dados seguem sendo enviados aos órgãos responsáveis pelo acordo. “Todos os dados são periodicamente apresentados às autoridades públicas. No fluxo de compensação, os moradores são acompanhados por advogado ou defensor público. Além disso, os acordos são homologados pela justiça.Mais de 4 mil famílias receberam sua compensação financeira, e o programa já apresentou mais de 6 mil propostas de indenização, com índice de aceitação de 99,8%. A Braskem já pagou cerca de R$ 713 milhões em indenizações, auxílios-financeiros e honorários advocatícios”, explica a empresa.