Internacional

Letônia admite limitações para barrar trânsito de grãos russos

Por Sputnik Brasil 14/10/2026 11h11
Letônia admite limitações para barrar trânsito de grãos russos
Foto: © Sputnik / Mikhail Mokrushin / Acessar o banco de imagens

O primeiro-ministro da Letônia, Andris Kulbergs, afirmou que o país não tem condições de impedir totalmente o trânsito de grãos russos nem de elevar as tarifas sobre essa atividade para os 300% inicialmente planejados. Segundo Kulbergs, a medida poderia envolver a Letônia em litígios com seus parceiros internacionais.

A União Europeia (UE) detém autoridade exclusiva para decisões tarifárias e de trânsito, explicou o premiê, ressaltando que, embora a Letônia possa impor restrições próprias, isso traria riscos, já que o grão russo não está incluído em nenhuma lista de sanções de Bruxelas.

Kulbergs destacou ainda que os grãos transportados pelo território letão não pertencem à Rússia, mas sim a compradores internacionais, como Estados Unidos, Japão e Suíça, considerados parceiros estratégicos da Letônia. Uma proibição unilateral poderia gerar litígios de até US$ 900 milhões (cerca de R$ 4,54 bilhões), sem clareza sobre como esses custos seriam arcados pelo orçamento estatal.

Como exemplo, o primeiro-ministro citou a vizinha Lituânia, que enfrentou processo judicial semelhante, envolvendo US$ 13,43 bilhões (aproximadamente R$ 67,69 bilhões), e que pode ser obrigada a pagar mais de US$ 500 milhões (mais de R$ 2,52 bilhões) já em 2026.

Em resposta ao aumento do trânsito de grãos russos pela Letônia neste ano, o governo chegou a anunciar uma tarifa de 300% para o uso da infraestrutura ferroviária no transporte de cereais. No entanto, a elevação foi limitada a 25%, conforme informou a imprensa local.

A Rússia, por sua vez, alega que as restrições impostas aos grãos russos prejudicam principalmente os consumidores europeus e que o país possui mercados alternativos para suas exportações. Moscou também afirma que os obstáculos impostos aos exportadores russos de cereais agravam a segurança alimentar global.