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Escolas militares dos EUA retiram livros sobre raça e temas LGBTQ+

Medida afeta escolas frequentadas por filhos de militares americanos em diferentes países

Por Redação 02/10/2026 11h11
Escolas militares dos EUA retiram livros sobre raça e temas LGBTQ+
Pete Hegseth conduz mudanças no sistema educacional administrado pelo Pentágono - Foto: REUTERS/Al Drago

O sistema de ensino administrado pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos determinou que livros já proibidos pelo Pentágono permaneçam fora do acesso de estudantes, incluindo obras que abordam raça, sexismo e temas LGBTQ+. A medida faz parte de uma série de mudanças promovidas na rede educacional durante a gestão do secretário de Defesa, Pete Hegseth.

A determinação atinge a Department of Defense Education Activity (DoDEA), rede que administra cerca de 160 escolas para filhos de militares americanos, desde a pré-escola até o ensino médio, em diferentes países, estados e territórios dos Estados Unidos.

Segundo informações obtidas pela CNN, administradores receberam uma orientação poucas semanas antes do retorno dos alunos às aulas. O documento reforçou que centenas de livros considerados proibidos pelo Departamento de Defesa deveriam continuar fora das salas de aula e das bibliotecas.

Entre os títulos mencionados estão a série de histórias em quadrinhos “Heartstopper” e o livro “Feminist AF: A Guide to Crushing Girlhood”. As obras abordam, entre outros assuntos, questões relacionadas a sexualidade, gênero, feminismo e diversidade.

Um memorando enviado a funcionários determinou que “todos os exemplares físicos devem ser retirados do acesso dos alunos e colocados em local seguro”. O documento também estabeleceu “100% de conformidade” e informou que o Pentágono acompanharia o cumprimento da medida.

A iniciativa ocorre enquanto uma ação judicial relacionada à retirada de livros do sistema educacional tramita na Justiça federal americana. Em 2025, já havia registros de mudanças na DoDEA envolvendo a remoção de conteúdos relacionados a raça, gênero e sexualidade.

Mudanças no currículo


Além da retirada de obras, a DoDEA está implementando mudanças curriculares. O Pentágono trabalha na adoção de uma abordagem baseada na chamada “educação clássica”, que dá maior ênfase ao cânone ocidental e à educação cívica.

A partir de janeiro, professores deverão trabalhar dois romances escolhidos a partir de uma “Lista de Leitura do Diretor”. Segundo um memorando obtido pela CNN, os profissionais deverão utilizar planos de aula preparados pela sede da DoDEA, em Washington.

Professores também teriam sido orientados a não modificar ou complementar esses planos.

“Os professores sabem que mudanças estão por vir, mas não sabem quais, como ou quando. No fim das contas, eles só querem oferecer o melhor aos seus alunos, mas é difícil saber como fazer isso diante de tantas incertezas”, disse uma pessoa familiarizada com o assunto à CNN.

Um representante do Pentágono afirmou que a DoDEA continua comprometida em oferecer aos filhos de militares educação e oportunidades de qualidade. Segundo ele, a nova ênfase em educação clássica e cívica representa uma “expansão” curricular voltada ao pensamento crítico e às habilidades de comunicação.

Críticas às mudanças


A reformulação provocou críticas de pessoas que afirmam que o Pentágono estaria restringindo o acesso dos estudantes a determinados conteúdos e impondo limites ao que pode ser ensinado.

Por outro lado, setores conservadores afirmam há anos que a DoDEA teria incorporado uma orientação considerada excessivamente “woke” e que seu currículo promoveria uma ideologia de esquerda.

Durante a gestão de Hegseth, funcionários foram substituídos em alguns casos por pessoas escolhidas para atuar nas mudanças propostas para a agência.

O deputado democrata Gil Cisneros, que foi subsecretário de Defesa para Pessoal e Prontidão durante o governo Biden, questionou a justificativa das alterações:

“As mudanças que estão sendo feitas não se baseiam em dados. Trata-se, basicamente, de uma mudança filosófica que o secretário quer implementar porque ela se alinha à sua forma de pensar”, disse à CNN.

As mudanças fazem parte de uma política mais ampla do Departamento de Defesa contra iniciativas de diversidade, equidade e inclusão. Hegseth afirmou recentemente que o Pentágono não terá mais políticas baseadas em cotas de diversidade e que a prioridade deve ser a “unidade”.