Internacional
Itália aprova lei que viabiliza retorno à energia nuclear após quase 40 anos
O projeto, já aprovado pela Câmara dos Deputados no início de junho, recebeu 81 votos favoráveis, 51 contrários e sete abstenções no Senado
O Senado da Itália aprovou nesta quarta-feira (23) uma lei que estabelece a base jurídica para o retorno do país à energia nuclear, marcando uma guinada histórica após quase quatro décadas sem utilizar essa matriz energética.
O projeto, já aprovado pela Câmara dos Deputados no início de junho, recebeu 81 votos favoráveis, 51 contrários e sete abstenções no Senado.
Segundo o ministro do Meio Ambiente e da Segurança Energética, Gilberto Pichetto Fratin, a decisão representa um marco para a segurança e competitividade do país. Ele destacou que a energia nuclear sustentável, aliada às fontes renováveis, tornará a Itália mais independente no cenário energético.
A nova lei estabelece um prazo de 12 meses para que o governo edite os decretos necessários à retomada da produção de eletricidade em usinas nucleares. Em maio, a primeira-ministra Giorgia Meloni já havia sinalizado a intenção de acelerar esse processo, apostando em pequenos reatores modulares considerados mais seguros.
O desenvolvimento nuclear italiano foi interrompido após o acidente de Chernobyl, em 1986. Em 2011, um referendo rejeitou a retomada do setor, mas a atual crise energética na Europa reacendeu o debate e levou o governo a colocar o tema novamente em pauta.
A medida ocorre em meio à instabilidade provocada pelo conflito no Oriente Médio, que impactou o fornecimento de gás para o continente. Países europeus suspenderam compras planejadas de gás natural para reabastecimento de estoques de inverno, esperando que o fornecimento de GNL se normalize e os preços recuem, segundo a imprensa internacional.
"A Europa se aproxima do fim do verão [Hemisfério Norte] com uma baixa reserva de gás natural, o que ameaça intensificar a competição global pelo fornecimento", aponta a mídia especializada.
Para atingir o nível mínimo de reserva de 75%, a Europa precisará de mais de 100 terawatts-hora de gás, o que representa um valor superior a US$ 8,1 bilhões (cerca de R$ 41,3 bilhões), conforme estimativas recentes.
Governos da região optaram por adiar compras na expectativa de queda dos preços, que dispararam após o fechamento do Estreito de Ormuz e o início da guerra entre EUA e Irã.
Por Sputnik Brasil
