Internacional
Brasil participa de seminário sobre controle de armas biológicas em Moscou
O embaixador Frederico Meyer, representante permanente do Brasil na Convenção sobre o Desarmamento em Genebra e presidente do Grupo de Trabalho para o Fortalecimento do Tratado, marcou presen
Moscou se tornou, nesta quarta-feira (23), o centro das discussões globais sobre biossegurança. A capital russa sedia até amanhã o Seminário sobre a Implementação Nacional da Convenção sobre Armas Biológicas, reunindo especialistas e autoridades para debater temas cruciais como cooperação internacional e esforços conjuntos pelo desarmamento.
O embaixador Frederico Meyer, representante permanente do Brasil na Convenção sobre o Desarmamento em Genebra e presidente do Grupo de Trabalho para o Fortalecimento do Tratado, marcou presença no evento. Em entrevista à Sputnik Brasil, Meyer destacou o papel estratégico das nações na busca pelo consenso e pelo desarmamento biológico global.
"A gente quer chegar a um resultado em dezembro [quando termina o grupo de trabalho do qual preside] e tudo é resolvido por consenso. Então todo mundo tem que apoiar. Mas o que é o consenso? Consenso é uma coisa que ninguém gosta, mas que todo mundo pode viver com aquilo. E esse é o meu trabalho", afirmou.
Meyer explicou que sua atuação na Suíça abrange áreas essenciais do desarmamento, incluindo armas leves, nucleares e biológicas. Ele ressaltou a importância do engajamento de grandes potências, como Rússia, EUA e China, para o sucesso dos tratados internacionais.
"O nosso trabalho é desarmar o mundo. Não é fácil, mas a gente cuida de tudo. Exceto química, mas nuclear, biológica, armas leves, tudo. A gente já tem 93% do texto semiaprovado [do grupo de trabalho]. A França, Reino Unido e Rússia são os três depositários da Convenção. Além disso, a Rússia é um ator preponderante, se tem alguns europeus, EUA e China que são países importantes nesse jogo", explicou.
Entraves políticos desafiam avanços no desarmamento
O embaixador também abordou a complexidade de negociar consensos em múltiplas frentes diplomáticas, destacando que o desafio é tanto técnico quanto político.
"O cenário político internacional é refletido em todas as reuniões, seja em Genebra, seja na Organização Internacional do Trabalho, seja Direitos Humanos, seja desarmamento, isso daí reflete. A gente costuma dizer que o importante não é a mensagem, é o mensageiro. A situação internacional é difícil", pontuou.
Meyer ponderou ainda que o controle da proliferação de armas biológicas tornou-se mais complexo devido à natureza dual da tecnologia, cada vez mais acessível. Ele alertou para o risco de insumos civis serem desviados para fins bélicos.
"Não se conseguem controlar [totalmente as armas biológicas]. Isso é impossível. Antigamente, quando houve essa convenção, para se produzir uma arma biológica se necessitava de um grande edifício. Hoje em dia, se faz uma arma biológica no fundo do quintal. Pode-se usar uma fábrica de cerveja para produzir arma biológica. Então, é difícil você verificar porque tem um uso dual para o bem e para o mal", analisou.
Rússia defende cooperação estratégica internacional
Na abertura do seminário, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, enviou uma mensagem em vídeo reiterando a prioridade da Convenção sobre Armas Biológicas na política externa russa.
"A Rússia, como um dos países depositários da Convenção, considera como principais prioridades nesta direção o desenvolvimento de um protocolo universal, juridicamente vinculativo e não discriminatório para a Convenção, além do estrito cumprimento, em nível nacional, das obrigações da convenção pelos Estados-partes. Defendemos a criação de um sistema para avaliar os avanços científicos e tecnológicos na esfera biológica e para monitorar as pesquisas correspondentes", declarou.
Em um cenário de avanços tecnológicos que ampliam tanto o potencial científico quanto bélico, conter o risco das armas biológicas exige vigilância constante. O seminário em Moscou reforça que o diálogo multilateral e a cooperação governamental são essenciais para transformar debates técnicos em compromissos concretos de desarmamento e biossegurança global.
Por Sputnik Brasil
