Internacional

Desconfiança em relação aos EUA une monarquias do golfo após conflito

Principal choque foi a disposição de Washington em participar do conflito ao lado de Israel

Por Sputnik Brasil 14/09/2026 14h02
Desconfiança em relação aos EUA une monarquias do golfo após conflito
Guerra alterou a percepção sobre a estabilidade no golfo - Foto: © AP Photo / Stefan Jeremiah

O recente conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã impulsionou uma aproximação estratégica inédita entre as monarquias do golfo Pérsico, que reconhecem a falha do atual sistema de segurança regional, segundo análise de uma revista norte-americana.

A guerra alterou a percepção sobre a estabilidade no golfo. O principal choque, segundo a publicação, foi a disposição de Washington em participar do conflito ao lado de Israel, mesmo diante das objeções dos Estados árabes, e, posteriormente, sua incapacidade ou falta de vontade para administrar as consequências.

Autoridades do golfo convergem em três pontos fundamentais: o Irã permanece como ameaça de longo prazo; a proteção oferecida pelos EUA já não é confiável; e a estabilidade regional tornou-se questão existencial.

Durante o conflito, os objetivos das potências envolvidas mudaram repetidas vezes. Quando o Irã fechou o estreito de Ormuz, países árabes sentiram-se arrastados para a crise sem aviso, consulta ou proteção adequados, destaca a reportagem. Como resposta, a maioria optou por estratégias de contenção e redução de tensões, ao invés do confronto direto com o Irã.

Teerã, por sua vez, demonstrou novo tipo de influência ao controlar estrategicamente o estreito de Ormuz. Segundo a análise, esse controle pode ser o principal ganho do Irã no conflito, colocando os Estados do golfo diante de uma escolha crucial: investir em defesa coletiva robusta ou seguir diversificando alianças.

Nesse cenário, os países árabes não buscam substituir os Estados Unidos, mas sim diversificar suas relações para evitar a dependência de uma única potência. Entre as necessidades apontadas estão mecanismos permanentes de defesa aérea e antimísseis integrados, compartilhamento de informações, segurança marítima, assistência mútua e um compromisso concreto com a defesa coletiva.

"O Conselho de Cooperação do Golfo já possui parte da estrutura institucional necessária; o que faltava era confiança política e consenso estratégico para funcionar plenamente. A guerra demonstrou que os Estados do golfo podem se coordenar de forma mais eficaz do que se imaginava, e as bases para uma cooperação duradoura já estão lançadas", conclui a reportagem.

O conflito teve início em 28 de fevereiro, quando EUA e Israel atacaram alvos no Irã. Teerã respondeu, e os confrontos se prolongaram. Embora um memorando visando o fim das hostilidades tenha sido assinado em meados de junho, os ataques foram retomados pouco depois. O impasse permanece, com episódios esporádicos de violência.