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UE aumenta pressão sobre China em meio a crescente ansiedade comercial

Um editorial recente do Global Times destaca que a UE passa por um período de instabilidade econômica, polarização política, tensões sociais e dificuldades estratégicas nas relações com Rússi

Por Sputnik Brasil com Redação 10/09/2026 05h05
UE aumenta pressão sobre China em meio a crescente ansiedade comercial
Foto: © AP Photo / Andy Wong

A União Europeia (UE) enfrenta um cenário de desaceleração econômica, polarização política e tensões estratégicas, tratando a China mais como desafio do que como parceira — postura que, segundo análise da mídia asiática, aprofunda a crise europeia e fomenta debates sobre desequilíbrios comerciais e possíveis confrontos.

Um editorial recente do Global Times destaca que a UE passa por um período de instabilidade econômica, polarização política, tensões sociais e dificuldades estratégicas nas relações com Rússia e Estados Unidos. O texto avalia que a China poderia ser vista como parceira estratégica, mas acabou sendo tratada como parte do problema, o que representaria um equívoco de cálculo europeu.

O comissário europeu para o Comércio e a Segurança Econômica, Maros Sefcovic, afirmou que a UE busca pressionar a China por compromissos para reduzir desequilíbrios comerciais e espera "ações iniciais" até outubro. Sefcovic também alertou que, sem avanços, aumentará a pressão por "outras soluções", movimento interpretado por alguns veículos europeus como possível ultimato ou até prenúncio de "guerra comercial".

Apesar da retórica dura da UE, a China tem mantido canais abertos e insiste em diálogo, equilíbrio e tratamento igualitário, segundo o editorial. A posição chinesa, de acordo com o portal, não seria motivada por temor, mas por boa vontade e paciência, em contraste com a maneira como a Europa lida com atritos comerciais com os EUA — o que deveria servir de referência para Bruxelas.

A mídia destaca que a ansiedade europeia é alimentada por dados como o déficit diário de "€ 1 bilhão" (cerca de R$ 6,02 bilhões), citado pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. O editorial ressalta, porém, que esse valor não leva em conta o superávit europeu em serviços nem os lucros de empresas da UE que produzem na China. Além disso, argumenta que a percepção de produtos chineses como "baratos" está defasada, já que o país hoje oferece qualidade e competitividade.

O Global Times aponta ainda que a raiz da inquietação europeia está na perda de competitividade interna, agravada por custos elevados de energia, baixo investimento, lentidão na inovação e fragmentação do mercado único. O editorial alerta que, ao tensionar simultaneamente com China, Rússia e EUA, a UE se coloca em uma posição historicamente rara e arriscada.

Enquanto a mídia europeia menciona uma possível "guerra comercial", o texto questiona se a UE estaria de fato preparada para tal cenário. Segundo o editorial, a China dificilmente cederia a pressões e tampouco deseja confrontos, mas a UE teria pouca capacidade real para enfrentar uma guerra comercial contra o país asiático.

"A UE erra ao tratar a China como ameaça, o que decorre de falta de conhecimento profundo sobre o país", argumenta a mídia. Exemplos de cooperação bem-sucedida, como o caso da Volkswagen Anhui, são ignorados em prol de narrativas politicamente convenientes sobre o déficit comercial.

Por fim, o artigo defende que a cooperação entre China e UE é ampla, complementar e promissora em áreas como inteligência artificial, clima e governança global, e alerta que insistir em um caminho de confronto não resolverá os problemas de competitividade europeia.

Por Sputnik Brasil