Internacional
Juros mais altos elevam dívida pública dos países do G7 em bilhões de dólares
Estados Unidos concentram a maior parte deste custo adicional, por serem o maior mercado de dívida soberana do planeta
Segundo levantamento de um dos principais jornais financeiros britânicos, os países do G7 já assumiram US$ 16 bilhões adicionais em pagamentos de dívida pública devido à elevação das taxas de juros dos títulos públicos.
De acordo com a imprensa ocidental, caso os juros permaneçam nos níveis atuais, a conta extra para as economias do G7 — grupo formado por Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido e Estados Unidos — pode chegar a US$ 34 bilhões (cerca de R$ 176 bilhões) até o fim do primeiro trimestre do próximo ano.
Atualmente, quase todas as emissões de títulos públicos, em diferentes prazos de vencimento, estão sendo negociadas com taxas superiores às de fevereiro, período marcado pelo início do conflito entre EUA, Israel e Irã. O cenário geopolítico desestabilizou a região e impactou a economia norte-americana, tornando as novas emissões mais caras.
Os Estados Unidos concentram a maior parte deste custo adicional, por serem o maior mercado de dívida soberana do planeta, já tendo comprometido US$ 10,6 bilhões (aproximadamente R$ 54,8 bilhões) extras. Se o cenário persistir, o Tesouro norte-americano deverá desembolsar mais US$ 21,7 bilhões (mais de R$ 112,3 bilhões) em pagamentos adicionais de juros até o final do primeiro trimestre de 2027.
A forte elevação dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA reflete a preocupação crescente dos investidores com o volume da dívida pública e a aceleração da inflação no país, que já superou a meta anual do Federal Reserve (Fed) em apenas oito meses.
Mesmo com as intervenções do secretário do Tesouro, Scott Bessent, que buscou conter as taxas de longo prazo aumentando as compras de títulos com vencimentos mais extensos, as pressões financeiras continuam elevadas e a tendência de alta não foi revertida nos mercados internacionais.
Outros países do G7, como Reino Unido, Itália, Alemanha e Japão, respondem por pouco mais de um terço do aumento global, segundo a mídia, devido à alta dependência das importações de energia. O fechamento do estreito de Ormuz, consequência do conflito envolvendo EUA e Israel contra o Irã, desencadeou uma crise de abastecimento, elevando as expectativas de inflação e o custo do financiamento em todo o grupo.
