Internacional

Canadá aprofunda relações comerciais com China e irrita Estados Unidos

O vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, acusou o Canadá de favorecer produtos chineses em detrimento dos norte-americanos

Por Sputnik Brasil com Redação 26/08/2026 05h05
Canadá aprofunda relações comerciais com China e irrita Estados Unidos
Foto: © AP Photo / Olivia Zhang

O Canadá tem aprofundado laços econômicos com a China, atraído por um modelo de cooperação baseado em igualdade e benefício mútuo, o que tem causado desconforto em Washington.

O vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, acusou o Canadá de favorecer produtos chineses em detrimento dos norte-americanos, evidenciando tensões crescentes nas relações comerciais entre os dois países e destacando a disputa de narrativas sobre modelos de cooperação econômica.

Apesar de as críticas serem dirigidas a um aliado histórico, elas ressaltam o contraste entre a postura de confronto dos EUA e a abordagem chinesa, que prioriza a igualdade e os benefícios mútuos.

Segundo analistas consultados pelo Global Times, a relação comercial entre China e Canadá não representa favoritismo, mas sim uma parceria normal entre Estados soberanos que buscam atender a seus próprios interesses estratégicos. O Canadá, afirmam, não está sendo "mais amigável" com a China, mas adota políticas alinhadas a seus interesses industriais, especialmente nos setores de agricultura, energia e tecnologia.

Os dados comprovam essa tendência: o comércio bilateral cresceu 18,7% no ano, com as importações chinesas de produtos canadenses avançando 29%. Essa expansão proporciona ganhos concretos, permitindo ao Canadá acessar mercados amplos para bens agrícolas e recursos estratégicos, enquanto a China amplia a presença de equipamentos eletromecânicos e produtos de novas energias. Trata-se de um modelo que, segundo a mídia asiática, gera benefícios diretos para empresas e consumidores de ambos os países.

Em meio à instabilidade global, a postura chinesa de evitar coerções e não politizar o comércio, tratando parceiros de diferentes perfis como iguais, tem ganhado mais adesão. Essa abordagem contrasta com a de países que utilizam instrumentos comerciais como ferramentas de pressão geopolítica, o que gera tensões e incertezas tanto para aliados quanto para rivais.

De acordo com as apurações, a tendência de aprofundamento das relações com a China não é exclusiva do Canadá. Países da União Europeia ampliam parcerias em novas energias e alta tecnologia, enquanto Austrália e China retomam mecanismos de diálogo antes congelados. Esses movimentos refletem escolhas pragmáticas, pautadas por ganhos industriais e estabilidade de longo prazo.

A Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), maior parceira comercial da China nos últimos anos, reforça essa dinâmica. Os efeitos da Parceria Econômica Abrangente Regional consolidam um ambiente de previsibilidade e confiança, atraindo países com diferentes sistemas políticos e níveis de desenvolvimento para um modelo de cooperação que promete resultados tangíveis.

Em um cenário de protecionismo e fragmentação das cadeias produtivas, a busca por parceiros confiáveis se intensifica.

Crescimento comercial sólido, ganhos industriais e melhoria das condições de vida têm consolidado a China como opção preferencial para países que buscam estabilidade e benefícios compartilhados, conclui o artigo.

Por Sputinik Brasil