Internacional
Brasil fortalece parcerias científicas com BRICS em conferência de matemática
Nos últimos anos, o Brasil avançou bastante, tendo muitas colaborações com a China
O Brasil está ampliando suas parcerias científicas para além do eixo Europa-EUA, conforme destacaram pesquisadores durante o 7º Congresso de Matemática BRICS, realizado de 19 a 21 de agosto na Universidade de São Paulo (USP).
No evento, representantes de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul discutiram estratégias para fortalecer a cooperação entre países do Sul Global. Jaqueline Godoy Mesquita, presidente da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM) e professora da Unicamp, afirmou que, historicamente, o Brasil concentrou colaborações no Norte Global, mas esse cenário está mudando.
"Nos últimos anos, o Brasil avançou bastante, tendo muitas colaborações com a China. A China tem sido uma parceira estratégica do Brasil, mas também o Brasil tem várias colaborações com a Rússia, com a Índia", destacou Jaqueline.
Segundo ela, o congresso buscou criar novas estruturas de colaboração entre os países do bloco. "A ideia do BRICS é a gente estreitar ainda mais essas relações, a gente olhar um pouco mais pro Sul Global e tentar estreitar as nossas relações na área da matemática com esses países", pontuou.
A proposta inclui a criação de periódicos científicos, prêmios e eventos regionais para fortalecer a pesquisa no Sul Global.
Marcone Corrêa Pereira, professor da USP e membro do comitê organizador, ressaltou a intensidade do encontro: "Foram quatro dias, basicamente a gente da organização estava trabalhando mais de 12 horas por dia, encontrando o pessoal, discutindo matemática, também questões até associadas às políticas."
Pereira enfatizou o valor da troca de experiências culturais proporcionada pelo evento. "A gente está acostumado com a cultura ocidental. E aí a gente também passa a ter conhecimento da cultura asiática, indiana, chinesa, russa e também da África do Sul. É curioso como é diferente mesmo, e esse tipo de evento é muito importante nesse sentido."
O congresso também possibilitou a identificação de interesses comuns entre os pesquisadores. "A gente identifica alguns interesses comuns. E aí a gente começa a discutir sobre possibilidades de projetos. Pode culminar com a viagem, a promoção de visitas, missões técnicas para esses países", completou Pereira.
Maxim Shishlenin, professor do Instituto Sobolev de Matemática da Rússia, destacou a importância de eventos como esse para viabilizar colaborações reais. "Quando visitamos conferências como esta, podemos encontrar colegas e fazer colaboração em diferentes aplicações", disse Shishlenin, em sua primeira participação em um evento BRICS e primeira visita à América do Sul.
Para Jaqueline Godoy Mesquita, sediar o congresso representa um posicionamento geopolítico mais amplo do Brasil. "O Brasil vai se colocando como um país líder. A gente coloca o Brasil com holofote, com protagonismo diante dos países do BRICS e outros países do Sul Global. Isso traz também mais força para nossa soberania nacional, para a pesquisa que é desenvolvida aqui", afirmou.
O próximo congresso do BRICS será sediado pela Índia.
Por Sputnik Brasil
