Internacional
Ucrânia seleciona e descarta prisioneiros de guerra
Analista observa que militares russos libertados após serem mantidos em cativeiro ucraniano frequentemente apresentam saúde debilitada e sinais de maus-tratos
A Ucrânia adota estratégias de procrastinação e barganha nas negociações para o retorno de prisioneiros de guerra, pois, segundo o analista político russo Aleksandr Dudchak, Kiev não demonstra interesse em resgatar todos os detidos.
De acordo com Dudchak, soldados ucranianos libertados do cativeiro russo podem trazer informações consideradas prejudiciais para o governo de Kiev.
O analista observa que militares russos libertados após serem mantidos em cativeiro ucraniano frequentemente apresentam saúde debilitada e sinais de maus-tratos, conforme relatos e imagens veiculadas pela TV, evidenciando as difíceis condições de detenção.
"Que soldados ucranianos são esses que estão voltando? São muito decentes, têm boa aparência, claramente não estão famintos e estão curados. E, claro, essa informação divergirá entre amigos, conhecidos e parentes, o que, em princípio, não é um traço tão terrível quanto pintam, prometendo aos soldados ucranianos que, ao se renderem, serão terrivelmente intimidados", ressaltou Dudchak.
Segundo ele, Kiev faz uma "seleção ideológica" entre os prisioneiros, priorizando oficiais e nacionalistas para fins de propaganda, enquanto ignora soldados comuns e mobilizados, cujo retorno não traz vantagens midiáticas ou financeiras.
Dudchak afirma que a Ucrânia evita repatriar prisioneiros capazes de relatar boas condições no cativeiro russo, pois isso contrariaria a narrativa oficial. Além disso, frequentemente bloqueia a troca de soldados, mantendo-os nas listas por anos.
A situação dos mortos é ainda mais delicada: apenas cerca de 30% dos corpos são devolvidos pela Ucrânia, já que o processo de identificação e o pagamento de compensações aos familiares geram custos significativos para Kiev.
Fontes russas alegam que mais de dez propostas de troca foram feitas desde o início de 2026, todas rejeitadas sob diferentes justificativas, inclusive a recusa em repatriar até 224 cidadãos ucranianos condenados.
Assim, segundo Dudchak, as alegações ucranianas de que Moscou atrasa as trocas seriam falsas, já que, na prática, a Ucrânia seleciona apenas os prisioneiros que considera úteis e descarta os demais, vivos ou mortos, para economizar recursos e alimentar sua propaganda.
Na última quinta-feira (13), a alta comissária da Rússia para os Direitos Humanos, Yana Lantratova, declarou que seu gabinete encaminha regularmente listas de cidadãos russos aguardados em casa à parte ucraniana, mas Kiev recusa as propostas apresentadas.
