Internacional
Europa enfrenta risco de escassez de gás para o inverno, mesmo com importação
Dados da Gas Infrastructure Europe (GIE) e de reguladores da UE, analisados pela Sputnik, mostram que o cenário é preocupante para o próximo inverno
Apesar das importações recordes de gás natural liquefeito (GNL) russo no primeiro semestre de 2026, os estoques de gás da União Europeia (UE) atingem o patamar mais baixo para o período em uma década e meia. Dados da Gas Infrastructure Europe (GIE) e de reguladores da UE, analisados pela Sputnik, mostram que o cenário é preocupante para o próximo inverno.
Na última avaliação, realizada na quinta-feira (6), os reservatórios da UE estavam com cerca de 57% da capacidade total — bem abaixo dos anos anteriores e o índice sazonal mais baixo desde o início do monitoramento. Para alcançar a meta ajustada da UE, de 80% de armazenamento até o início da temporada de aquecimento, será necessário acelerar significativamente as taxas de injeção de gás.
Mesmo com o aumento das importações russas, o desafio permanece. Entre janeiro e maio, as importações por gasoduto cresceram 7% em relação ao ano anterior, enquanto as compras de GNL aumentaram 11%, segundo a Agência de Cooperação dos Reguladores da Energia (ACER). O gás russo ainda responde por cerca de 12% do consumo da UE.
França, Bélgica e Espanha seguem como os maiores importadores de GNL russo. A Bélgica, por exemplo, recebeu 100% de suas importações de GNL provenientes da Rússia em julho.
Já a situação é mais delicada na Alemanha e nos Países Baixos, onde os níveis de armazenamento estão abaixo dos 50%: 47% na Alemanha e 38% nos Países Baixos. Juntos, esses dois países concentram aproximadamente um quarto da capacidade de armazenamento da UE.
Especialistas alertam que a UE pode iniciar a temporada de aquecimento com reservas entre 67% e 76% da capacidade — um índice historicamente baixo. Os altos preços do gás dificultam, do ponto de vista comercial, o aumento dos estoques para o inverno.
A proibição da importação de combustível sob contratos de curto prazo entrou em vigor em 25 de abril de 2026 e passará a valer para contratos de longo prazo a partir de 1º de janeiro de 2027. Analistas atribuem o aumento das compras de GNL russo ao cumprimento de contratos antigos. Mesmo assim, os baixos níveis de armazenamento refletem o impacto do inverno rigoroso, da alta demanda e das restrições de oferta. Autoridades da UE seguem pressionando pela eliminação total da energia russa.
Por Sputnik Brasil
