Internacional
Moderna inicia testes de vacina contra tipo de Ebola sem imunização
Estudo reúne cerca de 80 voluntários no Canadá e busca avaliar a segurança e a resposta imunológica do imunizante
A farmacêutica norte-americana Moderna anunciou o início da fase clínica de sua candidata a vacina contra o ebolavírus Bundibugyo (BDBV), uma das variantes do Ebola que ainda não possui imunização aprovada. Os primeiros participantes já receberam as doses em um estudo conduzido no Canadá.
O ensaio clínico de Fase 1 será realizado em três centros de pesquisa no Canadá e contará com cerca de 80 adultos saudáveis. Nesta etapa, os pesquisadores vão analisar a segurança do imunizante, sua tolerabilidade e a capacidade de estimular resposta do sistema imunológico.
A vacina experimental, chamada mRNA-1469, utiliza a tecnologia de RNA mensageiro (mRNA) e foi desenvolvida para combater o ebolavírus Bundibugyo (BDBV), uma das quatro espécies conhecidas do vírus Ebola. A doença é transmitida pelo contato com sangue ou outros fluidos corporais de pessoas infectadas.
O anúncio ocorre em meio ao avanço de um surto de BDBV na República Democrática do Congo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o país enfrenta o maior surto já registrado dessa variante, com milhares de casos confirmados e elevada taxa de mortalidade.
Embora já exista uma vacina comercializada pela Merck para outra espécie do vírus Ebola, ainda não há um imunizante aprovado especificamente contra o Bundibugyo, o que pode tornar a Moderna a primeira grande farmacêutica a atender essa demanda, caso os estudos sejam bem-sucedidos.
Após a divulgação do início dos testes, as ações da Moderna registraram alta na Bolsa de Nova York. O movimento reflete a expectativa dos investidores sobre o potencial da nova vacina, embora especialistas ressaltem que o estudo ainda está em fase inicial.
Os testes de Fase 1 representam o primeiro estágio de avaliação em seres humanos. Caso os resultados sejam positivos, o imunizante ainda precisará passar pelas fases 2 e 3, que envolvem um número maior de participantes para comprovar eficácia e identificar possíveis efeitos adversos menos frequentes.
O desenvolvimento da vacina faz parte de uma parceria entre a Moderna e a Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias (CEPI), organização internacional que destinou até US$ 50 milhões para o projeto.
Segundo a empresa, caso a vacina seja aprovada futuramente, haverá o compromisso de disponibilizar pelo menos 500 mil doses a preços acessíveis para países de baixa e média renda.
