Internacional
Onda de calor na Europa pode pressionar preços de alimentos e azeite
Os produtores de vegetais, grãos e uvas estão entre os mais prejudicados
O clima excepcionalmente quente, a seca e os incêndios florestais que atingem a Europa têm provocado quedas significativas nas colheitas de diversas culturas, com potencial para elevar os preços de alimentos, incluindo o azeite, segundo veículos da mídia britânica nesta terça-feira (4).
"A menos que o clima esteja sob controle em breve, devemos esperar um aumento nos preços no outono, já que haverá menos frutas comestíveis para a produção de azeite", afirmou Sarah Vachon, fundadora da organização Citizens of Soil, ao jornal britânico de grande circulação.
Os produtores de vegetais, grãos e uvas estão entre os mais prejudicados. A associação francesa Légumes de France informou que, devido ao calor e à escassez de chuvas, milhares de toneladas de produtos, avaliados em dezenas de milhões de euros, já foram perdidas. Em algumas regiões, a colheita de alface, cenoura, alho-poró, alho e cebola pode ser reduzida em até 50%.
A Comissão Europeia revisou para baixo suas estimativas de colheita para diversas culturas: girassol deve ter queda de 7%, milho em grãos de 6% e batata e soja de 3%.
A situação é especialmente crítica na Espanha, maior produtora mundial de azeite. O Ministério da Agricultura espanhol prevê que a colheita de grãos para a safra 2026-2027 caia de 24 milhões de toneladas no ano passado para 18,5 milhões de toneladas, mesmo antes dos grandes incêndios florestais das últimas semanas.
Na França, o calor acelerou o amadurecimento das uvas. Na região de Champagne, a colheita pode começar já em 15 de agosto, uma das datas mais precoces já registradas. Ainda assim, a expectativa é de que a produção de uvas na região seja cerca de 10% menor do que em 2023.
Produtores de azeite alertam que o calor extremo, a seca e os incêndios florestais já impactaram vinhedos na Espanha, Itália, Grécia e Portugal. A combinação de seca e altas temperaturas também favorece a propagação de pragas e doenças nas plantações.
O preço do azeite teve forte alta em 2024 após várias safras fracas nos países mediterrâneos. Embora os valores tenham começado a recuar gradualmente, agentes do mercado agora alertam para um novo aumento de preços já no outono do Hemisfério Norte.
Por Sputnik Brasil
