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Mulheres negras morrem 3,8 vezes mais por câncer de mama, aponta Inca

Estudo identifica desigualdades no diagnóstico e no tratamento e defende políticas públicas para ampliar o acesso à saúde

Por Agência Brasil com Redação 27/10/2026 14h02
Mulheres negras morrem 3,8 vezes mais por câncer de mama, aponta Inca
Dado consta na publicação Disparidades Raciais na Incidência do Câncer de Mama - Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Mulheres negras apresentam taxa de mortalidade por câncer de mama 3,8 vezes maior que a de mulheres brancas, apesar de estas registrarem maior incidência da doença. O dado consta na publicação Disparidades Raciais na Incidência do Câncer de Mama, divulgada pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca) durante a campanha Outubro Rosa.

Segundo Renata Maciel, coordenadora da Divisão de Detecção Precoce do instituto, a diferença na mortalidade pode estar relacionada ao acesso ao diagnóstico e ao tratamento. Ela também destaca a maior incidência, entre mulheres negras, do subtipo triplo negativo, considerado mais agressivo.

“[Esse dado] pode estar relacionado ao acesso ao diagnóstico precoce e às terapias de tratamento no serviço de saúde. As mulheres negras têm incidência maior do subtipo triplo negativo, que é mais grave”, disse Renata.

A coordenadora também aponta diferenças na realização de exames preventivos entre mulheres de 50 a 69 anos, faixa etária analisada pelo estudo. “As mulheres brancas fazem mais esses exames preventivos nessa faixa etária”.

Para o diretor-geral do Inca, Roberto Gil, os resultados indicam que a maior agressividade biológica da doença, associada às dificuldades de acesso aos serviços de saúde, pode contribuir para diagnósticos tardios.

“O estudo mostra a necessidade de construir políticas públicas com equidade, possibilitando acesso uniforme de todas as populações aos serviços de saúde”, destaca.

Gil também chamou a atenção para o consumo de bebidas alcoólicas como fator de risco. Segundo ele, mulheres negras consomem mais bebidas alcoólicas do que mulheres de outras etnias. “O consumo de bebida alcoolica está relacionada ao câncer de mama”.

Desigualdades e prevenção


A publicação relaciona as disparidades raciais às desigualdades socioeconômicas, às dificuldades de acesso à assistência médica e ao estresse associado às condições de vida. O documento também ressalta a importância de considerar fatores genéticos e de ancestralidade para compreender as diferenças observadas.

Entre as recomendações estão o fortalecimento das políticas de prevenção e promoção da saúde, com ações para reduzir fatores de risco modificáveis, como obesidade e consumo de álcool. Alimentação saudável, atividade física e aleitamento materno também são apontados como práticas protetoras.

A artesã Solange Barbosa de Freitas, de 57 anos, descobriu o câncer de mama em 2019, durante uma campanha de exames de rotina do Outubro Rosa. Na época, ela não apresentava sintomas. “A doença foi considerada delicada. Fiz três cirurgias, tirei uma das mamas e fiz a reconstrução”. Solange conta que não conheceu a família paterna e que, entre os parentes maternos, foi a primeira a receber o diagnóstico.

Dados da doença


O câncer de mama é o tipo mais incidente entre as mulheres no Brasil. Cerca de quatro em cada cinco diagnósticos ocorrem a partir dos 50 anos.

Estimativas indicam que aproximadamente 17% dos casos podem ser prevenidos por meio de hábitos saudáveis, como praticar atividade física, manter o peso adequado, evitar bebidas alcoólicas e amamentar.

A publicação do Inca foi apresentada durante um evento do Outubro Rosa na unidade do instituto localizada na Praça Cruz Vermelha, no centro do Rio de Janeiro. O lançamento também marcou o Dia Nacional de Mobilização Pró-Saúde da População Negra.