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Digitalização de obras raras amplia acesso à memória de Alagoas

Parceria entre Secult e Ufal busca preservar cerca de 6 mil exemplares históricos e facilitar o acesso de pesquisadores e estudantes ao acervo

Por Redação 19/10/2026 14h02 - Atualizado em 19/10/2026 14h02
Digitalização de obras raras amplia acesso à memória de Alagoas
O projeto permite que livros antigos sejam disponibilizados em formato digital - Foto: Divulgação/Assessoria

A Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa de Alagoas (Secult) e a Universidade Federal de Alagoas (Ufal) iniciaram uma parceria para digitalizar o acervo de obras raras da Biblioteca Pública Estadual Graciliano Ramos, em Maceió. A iniciativa pretende preservar cerca de 6 mil exemplares históricos e ampliar o acesso da população a documentos que registram a história de Alagoas, do Brasil e de outros países.

O projeto permite que livros antigos, antes consultados presencialmente e sob cuidados especiais, sejam disponibilizados em formato digital. A medida também reduz o manuseio dos originais, contribuindo para a conservação de materiais frágeis.

A necessidade de preservação desse acervo foi identificada em 2014, durante a restauração e modernização da biblioteca. No ano seguinte, a aprovação da Política de Desenvolvimento de Coleções estabeleceu diretrizes para a conservação, a catalogação e a ampliação do acesso às obras.

Entre os exemplares mais antigos está a coleção Contos de Diogo de Couto, publicada em 1778, que reúne registros sobre os feitos portugueses no Oriente. O acervo também preserva características materiais importantes para a pesquisa histórica, como encadernações artesanais, papéis antigos, impressões tipográficas e anotações manuscritas.

“Estamos diante de um trabalho que conecta gerações. Ao digitalizar essas obras, ampliamos o acesso ao conhecimento e cuidamos de um patrimônio que pertence a todos os alagoanos. É uma ação que dialoga com educação, pesquisa e identidade cultural”, disse a secretária de Estado da Cultura e Economia Criativa, Mellina Freitas.

A secretária também destacou a participação do governo estadual na viabilização da iniciativa. “A atuação do governador Paulo Dantas também tem sido fundamental para viabilizar investimentos e articulações institucionais que tornam projetos como este possíveis, integrando cultura, ciência e tecnologia em benefício da população”, completa a gestora.

Nesta primeira etapa, o trabalho prioriza a digitalização de obras de autores alagoanos. Segundo a supervisora da Biblioteca Pública Estadual Graciliano Ramos, Mira Dantas, a iniciativa contribui para divulgar a produção cultural e literária do estado e preservar documentos históricos.

Pesquisa

A participação da universidade ocorre por meio do Laboratório de Gestão Eletrônica de Documentos (Laged), inaugurado em 2024 com investimento de R$ 200 mil da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal), em articulação com a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti).

O laboratório conta com equipamentos para digitalização e atende estudantes da graduação em Biblioteconomia e do Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação (PPGCI), além de colaborar com projetos de instituições públicas. A iniciativa também integra atividades de formação acadêmica e extensão.

Para a coordenadora do Laged, professora doutora Rosaline Mota, a estrutura é essencial para executar o trabalho com o cuidado exigido pelos documentos.

“O papel do Laged nesse processo de digitalização é imprescindível, pois sem o Laged a gente não conseguiria fazer um trabalho tão minucioso, tão delicado e de tanta inovação como é esse processo de digitalização das obras raras da Biblioteca Pública Estadual Graciliano Ramos”, disse.

A professora explica que a consulta digital reduz a necessidade de movimentar e manusear os exemplares originais, que podem sofrer danos devido à idade e à fragilidade dos materiais.

“Esse processo de digitalização contribui de forma muito intensa para a preservação, para a conservação dos documentos que são raros e que as pessoas passarão a ter o acesso digital ao invés do acesso físico, porque esse acesso físico envolve o manuseio humano, ele envolve retirada, movimentação das obras raras e tudo isso, tendo em vista que o material já é bem antigo, faz com que essas obras se deteriorem ainda mais”, afirmou.

“Quando você coloca esse acervo de forma digital, você permite a conservação e a preservação dessas obras, porque as pessoas vão poder acessar a partir de uma base de dados digital”, destacou a professora.

A parceria também proporciona aos estudantes experiência prática em preservação documental e gestão da informação. Neste semestre, o processo de digitalização passou a integrar uma atividade curricular de extensão.

*Com informações da assessoria