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Governo de Alagoas e ONU-Habitat unem esforços por cidades mais seguras

Por Agência Alagoas 16/10/2026 12h12
Governo de Alagoas e ONU-Habitat unem esforços por cidades mais seguras
Estudantes acompanham atividade do Encontro Cidade Mulher – Juventudes por cidades mais seguras - Foto: Adônis Matos / ONU-Habitat

Como iluminação, mobilidade, circulação de pessoas e preservação de espaços públicos influenciam a segurança de mulheres e meninas? Essa é uma das questões que orientam a metodologia Cidade Mulher — ferramenta participativa do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) que coloca as experiências de quem vive e utiliza os territórios no centro da análise sobre segurança urbana.

Em Alagoas, a metodologia foi o eixo central de iniciativas promovidas pelo Governo do Estado em parceria com o ONU-Habitat, dentro do programa Visão Alagoas 2030, em apoio à Política de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher – Alagoas Lilás. Nos dias 20 e 26 de agosto, em Maceió, dois eventos apresentaram os principais resultados das ações realizadas no primeiro semestre de 2026: o “Encontro Cidade Mulher – Juventudes por cidades mais seguras”, com estudantes da rede estadual, e o “Seminário Cidade Mulher – Fortalecendo a rede Alagoas Lilás”, direcionado a agentes públicos de diferentes órgãos estaduais. Esses encontros trouxeram devolutivas das oficinas com estudantes e da formação promovida para equipes técnicas do Estado.

A experiência das oficinas foi registrada em vídeo, destacando momentos de cartografia coletiva, caminhadas exploratórias e depoimentos das estudantes sobre os espaços e trajetos que fazem parte de seu cotidiano. O material audiovisual evidencia como essas vivências contribuíram para identificar desafios e construir propostas para os territórios urbanos.

Construção coletiva

No encontro com estudantes, foram apresentados o diagnóstico e as propostas desenvolvidas nas oficinas realizadas em março nos bairros de Ponta Grossa, Jacintinho e Benedito Bentes. Ao todo, 81 estudantes do Ensino Médio, com idades entre 14 e 20 anos, participaram das atividades, analisando principalmente os trajetos entre casa e escola e os fatores urbanos relacionados à sensação de segurança.

Entre os desafios mais recorrentes identificados estão: iluminação insuficiente, dificuldades de mobilidade e acessibilidade, baixa circulação de pessoas e problemas de conservação dos espaços públicos. Os relatos evidenciaram como essas condições impactam o cotidiano, fazendo com que estudantes evitem determinados locais e horários, alterem trajetos ou adotem estratégias de autoproteção.

A partir desse diagnóstico, foram sugeridas melhorias na infraestrutura viária, calçadas, acessibilidade, sinalização, travessias e transporte público; requalificação de áreas de lazer, cultura e convivência; arborização e limpeza urbana; ampliação da iluminação e de medidas de prevenção à violência; além de maior acesso a serviços de saúde, educação, assistência social e à rede de proteção às mulheres.

“A devolutiva é uma etapa importante porque permite apresentar o que foi construído a partir da participação das estudantes. O diagnóstico não foi elaborado apenas a partir de uma análise técnica, mas principalmente a partir dos olhares e das experiências vivenciadas nos territórios”, destacou Paula Zacarias, coordenadora do Visão Alagoas 2030.

Para Emilly Teixeira, moradora do Benedito Bentes e estudante da Escola Estadual Marcos Antônio Cavalcanti Silva, pensar em segurança também está relacionado à qualidade dos espaços utilizados no dia a dia. “Nas propostas, a gente pensou bastante no nosso lazer e também na nossa segurança, porque muitos locais por onde fazemos o deslocamento até o colégio têm pouca segurança e pouca iluminação”, afirmou.

Durante o encontro, os estudantes também puderam conhecer melhor os serviços públicos disponíveis para prevenção e atendimento em situações de violência contra as mulheres. Representantes da Rede de Atenção às Violências (RAV) e do Centro Especializado de Atendimento à Mulher (CEAM) apresentaram a atuação da rede de proteção e os caminhos para buscar acolhimento e atendimento.

Diálogo institucional

O “Seminário Cidade Mulher – Fortalecendo a rede Alagoas Lilás” apresentou a agentes públicos estaduais um panorama dos resultados das oficinas participativas e da formação Cidade Mulher, realizada em abril, que reuniu servidores de órgãos e secretarias estaduais em um treinamento sobre gênero, prevenção da violência urbana e direito à cidade.

A formação abordou as dimensões da violência de gênero, as desigualdades no uso da cidade e o papel dos agentes públicos na construção de respostas articuladas, buscando ampliar a compreensão sobre como uma perspectiva de gênero pode ser incorporada às políticas públicas e às ações de prevenção da violência.

O seminário promoveu o diálogo entre diferentes perspectivas: de um lado, as experiências das jovens sobre segurança urbana e as propostas construídas a partir da leitura dos territórios; de outro, o olhar dos agentes públicos sobre os desafios e possibilidades de atuação institucional. O encontro reforçou a importância de aproximar as vivências dos territórios da atuação das instituições responsáveis pela formulação e implementação de políticas públicas.

“Ao reunir os dois resultados, as devolutivas ajudam a aproximar a atuação institucional das experiências vividas nos territórios e a ampliar o diálogo entre diferentes áreas envolvidas no enfrentamento da violência contra as mulheres. Essa aproximação é importante para que as respostas da gestão estadual considerem as diferentes realidades e necessidades presentes nos territórios, fortalecendo a implementação da política Alagoas Lilás e contribuindo para uma atuação cada vez mais integrada e conectada às realidades das mulheres no estado”, destacou Ana Cristina Farias, assessora especial de projetos da Secretaria de Estado da Governança Corporativa.

Resultados e produtos

Como desdobramento dessas ações, o Cidade Mulher prevê a elaboração de um diagnóstico territorial com recomendações para cidades mais seguras, a partir das oficinas com estudantes, e a Caixa de Ferramentas Cidade Mulher, desenvolvida a partir da formação com agentes públicos e composta por referências, conceitos e termos sobre gênero, violência e direito à cidade. Esses produtos sistematizam os aprendizados das atividades e vão contribuir para incorporar a perspectiva de gênero e as experiências vividas nos territórios em ações de prevenção da violência e promoção de cidades mais seguras e inclusivas.