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Da sala de aula ao próprio negócio: alunas do Senac transformam conhecimento em sabor e empreendedorismo
No Dia do Empreendedor, celebrado neste 5 de outubro, a história do “Sabor em Dobro” mostra como a qualificação profissional pode sair da sala de aula, ganhar forma em um negócio e abrir novos caminhos para o futuro
Entre uma aula e outra e o lanche compartilhado nos intervalos, duas mulheres ainda não sabiam que se tornariam tão amigas a ponto de se considerarem até “mãe e filha”, tampouco que, em breve, dividiriam também o mesmo sonho empreendedor. Adriana Rocha e Munique Dayane se conheceram no Senac Alagoas, durante o curso de pizzaiolo realizado no Centro de Educação Profissional Carlos Milito, em Maceió, e encontraram na gastronomia um ponto de encontro para transformar conhecimento em uma história construída a quatro mãos.
Hoje, as duas estão à frente da Sabor em Dobro, lanchonete especializada na produção e comercialização de bolos, doces e salgados. O negócio ainda é jovem, com cerca de três meses de funcionamento, mas já representa uma mudança importante na trajetória das duas: pela primeira vez, o conhecimento aprendido em sala de aula ganhou um espaço próprio, clientes, produtos e planos para o futuro.
Para Adriana, a vontade de empreender já vinha de antes. Durante 19 anos, ela manteve o próprio salão de beleza e também chegou a trabalhar em um restaurante. Depois de tantos anos trabalhando para outras pessoas, decidiu que queria construir um caminho profissional por conta própria.
“Eu trabalhei como cabeleireira durante muitos anos, trabalhei muito para os outros, mas chegou um dia em que eu disse: ‘Não, eu não quero trabalhar mais para ninguém’. Aí coloquei meu salão e fiquei 19 anos. De repente, surgiu o desejo da confeitaria”, conta.
Foi durante os cursos no Senac que a ideia começou a ganhar novos desdobramentos. Adriana já havia recebido outras propostas para abrir um negócio, inclusive com pessoas que conheceu durante a formação, mas foi a parceria com Munique, sua filha de coração, que despertou a confiança necessária para começar.
“Com ela foi diferente. Eu pensei: ‘Não, é uma menina nova, muito inteligente, muito trabalhadora’. Aí eu disse: ‘Não, eu quero é o meu’. E estamos aqui”, lembra a egressa, que ainda diz guardar na memória a experiência de formação e o ambiente encontrado no Senac. Depois de concluir o curso de cozinheiro, ela fez outras qualificações, entre elas comida de boteco, comida natalina, congelados, sobremesas e pizzaiolo, acumulando aprendizados para o próprio negócio.
“Eu não consigo entender como tem pessoas que passam pelo Senac e não conseguem focar e seguir, porque qualquer profissão, qualquer curso que você faz no Senac, você sai pronto. É uma porta de entrada”, afirma.
Uma porta de entrada para empreender
Para Munique, a formação profissional também ampliou a visão sobre o que poderia existir depois do curso. O que inicialmente parecia ser apenas uma oportunidade para aprender a preparar massas e pizzas acabou revelando conhecimentos necessários para transformar uma habilidade em negócio.
“O Senac deu um leque para a gente, principalmente em relação a como construir um negócio, como começar do zero, como separar custo e entender o que é lucro. Então, ele foi uma porta de entrada para a gente e hoje estamos aqui [...] No começo, para mim, era só aprender a fazer uma massa, montar uma pizza e pronto. Como era a primeira vez que eu fazia o curso, eu achava que era só isso. Mas o Senac mostrou outra coisa. Mostrou que podia dar suporte e abrir outras possibilidades”, afirma.
A qualificação também trouxe aprendizados que hoje fazem parte da rotina da Sabor em Dobro. Organização, custos, ficha técnica e precificação passaram a fazer parte das decisões das empreendedoras.
Começar, mesmo com medo
Transformar o aprendizado em um negócio próprio, no entanto, não significou começar com certezas. Depois de concluir os cursos, as duas rapidamente começaram a procurar um espaço para funcionar. Encontraram um ponto próximo ao Senac e decidiram apostar no projeto.
“Eu sabia que a gente ia conseguir, porque com todo esforço a gente consegue. Só que eu não imaginava que fosse tão rápido. Não é fácil começar do zero, com aluguel e tudo mais[...] Hoje nada é fácil. É aluguel, é tudo muito caro. Cada vez que a gente vai ao supermercado, se assusta. Mas desistir jamais. Essa palavra não existe aqui”, diz Adriana.
E os primeiros resultados começam a aparecer. As empreendedoras contam que já receberam convites para participar de ações e atender empresas, além de outras oportunidades que surgiram nesse início de trajetória. Os produtos também vêm conquistando os clientes, com destaque para os bolos e a coxinha de camarão.
“A gente faz tudo com amor e carinho, colocando em prática tudo o que aprendeu e mostrando para os clientes o nosso trabalho. A gente começou pequeno e hoje está no grande, graças a Deus. Já estamos andando com as próprias pernas. O negócio já está se pagando. Graças a Deus, já está pagando as despesas”, comemora.
Um futuro que começa agora
Ainda no início da trajetória, as duas já conseguem enxergar novos caminhos para a Sabor em Dobro. O plano é crescer, abrir novas lojas e levar o trabalho para outros lugares. “O futuro do Sabor em Dobro é crescer, abrir filiais, ter outras lojas, estar em outros lugares e atender mais pessoas. A gente também quer poder ajudar pessoas que tenham interesse, assim como aconteceu com a gente no Senac, mostrando o nosso conhecimento”, projeta Munique.
Para Adriana, o primeiro passo foi justamente superar o medo de começar. A experiência de quem mudou de profissão, voltou a estudar e decidiu empreender se transformou em um conselho para quem ainda não conseguiu tirar um projeto do papel. “Por experiência própria, quem mais tinha medo era eu. Então eu digo: vai com medo, porque eu comecei com medo e fui assim mesmo. Tinha medo, insegurança, vergonha. Só que a gente vai aprendendo”, afirma.
Ao longo de oito décadas, o Senac acompanha histórias de pessoas que encontram na qualificação profissional novas possibilidades para suas vidas e carreiras. Na trajetória de Adriana e Munique, o aprendizado ganhou forma, sabor e endereço próprio.
Porque, depois da formação, novos capítulos continuam sendo escritos.
E, para elas, o próximo já começou.
