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TRE-RJ barra candidatura de Mariana de Souza por vínculo apontado com facção

Candidata do PP é casada com alagoano foragido apontado como vice-líder do Comando Vermelho no estado

Por Redação 29/09/2026 10h10
TRE-RJ barra candidatura de Mariana de Souza por vínculo apontado com facção
TRE-RJ barra candidatura de Mariana de Souza por vínculo apontado com facção - Foto: Reprodução

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) indeferiu, por unanimidade, o registro de candidatura de Mariana de Souza (PP) à Câmara dos Deputados. A decisão foi tomada no dia 11 de setembro, após pedido do Ministério Público Eleitoral (MPE), que apontou vínculos da candidata com integrantes do Comando Vermelho (CV).

Mariana é casada com Wilson Marques de Albuquerque, conhecido como “Zé Dirceu” ou “Alex”. Segundo a Secretaria de Segurança Pública de Alagoas (SSP-AL), ele é apontado como vice-líder do Comando Vermelho no estado. Wilson está foragido e consta na lista de procurados do Projeto Captura, do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

A decisão do TRE-RJ considerou, entre outros elementos, a relação da candidata com Wilson, a concentração de votos recebidos por ela em áreas apontadas como sob influência do CV e doações de campanha. O tribunal informou que a candidatura foi considerada, no julgamento, como relacionada à atuação de organização criminosa.

Quem é Wilson Marques


Wilson possui condenações por tráfico de drogas e associação para o tráfico. De acordo com informações apresentadas no processo eleitoral, as penas são de 19 anos e quatro meses por tráfico e 12 anos e sete meses por associação para o tráfico. Ele também possui mandados de prisão pendentes.

O histórico criminal de Wilson também inclui uma fuga do sistema prisional de Alagoas. Em 8 de setembro de 2017, ele estava entre os 12 presos que escaparam do Presídio de Segurança Máxima 2, em Maceió, após grades de uma cela serem serradas. Segundo levantamento divulgado sobre o caso, ele permanece foragido desde então.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública mantém o nome de Wilson na relação de procurados do Projeto Captura.

Relação com Mariana


Segundo informações apresentadas no processo e divulgadas pela imprensa, Mariana e Wilson começaram a se relacionar em 2021, após a chegada dele ao Rio de Janeiro. Os dois tiveram um filho e oficializaram a união em janeiro de 2025.

A defesa da candidata afirma que ela teria sido enganada por Wilson, que teria se apresentado inicialmente com o nome de “Fábio”. Segundo os advogados, Mariana não sabia do passado criminal nem da condição de foragido do marido e rompeu o vínculo após descobrir essas informações.

O MPE, por outro lado, apontou o casamento como um dos elementos que, na avaliação da Procuradoria, indicariam uma relação mais ampla entre Mariana e integrantes da organização criminosa.

O que o MPE apontou


No pedido de impugnação, o Ministério Público Eleitoral citou relatórios de inteligência, empresas relacionadas ao casal e movimentações financeiras. Segundo a Procuradoria, haveria indícios de lavagem de dinheiro e de fracionamento de valores.

O MPE também mencionou seis contas bancárias em nome da candidata e a empresa Império do Norte Ltda.. De acordo com a acusação apresentada no processo, o estabelecimento estaria localizado próximo a uma empresa que teria sido constituída por Wilson utilizando identidade falsa.

Outro elemento analisado foi a votação de Mariana nas eleições de 2024. Segundo o MPE, 1.451 votos, equivalentes a 81,3% do total recebido pela candidata, foram registrados em áreas que a Procuradoria aponta como sob influência do Comando Vermelho. O órgão interpretou a concentração como possível indício de influência territorial sobre a votação.

A Procuradoria também citou R$ 14 mil em doações feitas por dez pessoas, mas ressaltou que esses dados, isoladamente, não seriam suficientes para comprovar irregularidades.

Mariana contesta acusações


Após a decisão, Mariana negou ter recebido apoio do Comando Vermelho e questionou a interpretação dada à sua votação. A candidata também afirmou que estaria sendo criminalizada por morar em uma comunidade.

A defesa sustenta que ela não tinha conhecimento da situação de Wilson e contesta as acusações apresentadas pelo Ministério Público Eleitoral.

O TRE-RJ informou que as decisões de indeferimento de registro podem ser contestadas por recurso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Portanto, o caso ainda pode ser analisado pela instância superior da Justiça Eleitoral.