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Programa nuclear da Marinha lidera investimentos militares

O contraste entre os programas é nítido: dos 36 caças Gripen previstos para estarem operacionais até 2024, apenas 11 foram entregues, e a previsão para a chegada do último foi adiada para 2032

Por Sputnik Brasil 24/08/2026 16h04 - Atualizado em 24/08/2026 16h04
Programa nuclear da Marinha lidera investimentos militares
Foto: © Sputnik / Lucas Ferreira

O programa nuclear da Marinha tornou-se o maior investimento militar do Brasil em 2025, ao receber 4,5 vezes mais verbas do que no ano anterior. O avanço impulsiona o desenvolvimento do submarino nuclear Álvaro Alberto e supera projetos tradicionais como o Gripen, que enfrenta atrasos e está distante do cronograma inicial.

Segundo levantamento divulgado por um jornal de grande circulação, o programa nuclear da Marinha lidera os aportes em Defesa, empatando em volume de recursos com o controle do tráfego aéreo. O projeto do caça Gripen, que por anos ocupou a liderança, caiu para a quarta posição, com R$ 965 milhões destinados em 2025 — valor inferior ao de anos anteriores.

O contraste entre os programas é nítido: dos 36 caças Gripen previstos para estarem operacionais até 2024, apenas 11 foram entregues, e a previsão para a chegada do último foi adiada para 2032. O governo ainda negocia a compra de mais 20 unidades, sem definição sobre a fonte de recursos.

A verba do programa nuclear cobre o desenvolvimento tecnológico do futuro submarino nuclear Álvaro Alberto. De acordo com a Marinha, os recursos financiaram melhorias no ciclo do combustível nuclear, a implantação do laboratório de geração nucleoelétrica e o desenvolvimento do reator que equipará o submarino.

Quase R$ 1 bilhão foi repassado a empresas contratadas, principalmente para serviços de engenharia. A etapa mais complexa — a integração do reator ao casco do submarino — ainda não foi iniciada.

O projeto remonta à ditadura militar, quando esteve associado ao esforço para produzir uma bomba atômica, plano abandonado em 1990. Recentemente, o presidente Lula voltou a criticar a adesão brasileira ao Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), alegando que potências nucleares não reduziram seus arsenais, enquanto novos países ingressaram no clube. Em visita à sede do programa, Lula reiterou a prioridade dada ao submarino nuclear.

Em 2025, o submarino nuclear consumiu R$ 649 milhões, ocupando o sétimo lugar no ranking de gastos, seguido por investimentos em obras de estaleiros. Paralelamente, avança a etapa final da construção dos quatro submarinos convencionais do acordo Brasil–França, com a última unidade já lançada ao mar.

A continuidade do projeto nuclear depende de negociações com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que exige garantias quanto ao uso do combustível e pressiona pela adoção de protocolos adicionais de inspeção.

Apesar do aumento dos recursos, o submarino Álvaro Alberto só deve ficar pronto em 2038, muito além do prazo original. No contexto das Forças Armadas, o investimento no programa representa 8,25% dos R$ 133,3 bilhões gastos em 2025, sendo a maior parte destinada ao pagamento de pessoal. O ranking não inclui o programa das fragatas Tamandaré, financiado por uma manobra aprovada no final do governo Temer, que transferiu os custos para a estatal Emgepron, fora do orçamento direto da Defesa.

Por Sputinik Brasil