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Serial killer de Maceió diz ter matado mais de 80 pessoas no Nordeste

Albino Santos de Lima afirma não se lembrar de todas as mortes e diz ter feito vítimas em outros estados

Por Redação 21/08/2026 11h11
Serial killer de Maceió diz ter matado mais de 80 pessoas no Nordeste
Albino é condenado por oito homicídios - Foto: Reprodução/TV RECORD

Condenado por oito homicídios e com penas que já ultrapassam 200 anos de prisão, Albino Santos de Lima, de 44 anos, afirmou ter matado mais de 80 pessoas em diferentes estados do Nordeste. A declaração foi dada durante entrevista ao programa Doc Investigação, da Record, exibido nessa quinta-feira (20).

Conhecido como “Serial Killer de Maceió”, Albino Santos de Lima falou à jornalista Thais Furlan sobre os crimes atribuídos a ele, o processo de escolha das vítimas e os registros que, segundo as investigações, mantinha sobre os homicídios.

Durante a entrevista, o condenado afirmou que não consegue se lembrar de todas as mortes e declarou que teria feito mais de 80 vítimas no Nordeste.

Questionado sobre os crimes cometidos fora de Alagoas, Albino afirmou que Pernambuco teria concentrado uma quantidade maior de homicídios do que Maceió.

“Em Pernambuco, foram muitas, mais que Maceió.”

Ao ser questionado sobre possíveis vítimas no Rio Grande do Norte, o preso não revelou detalhes.

“Não posso falar, é sigilo.”

Apesar de já ter sido condenado por oito homicídios, Albino afirmou que continuaria matando caso não tivesse sido preso.

“Certamente, sim.”

Questionado se se considera um serial killer, respondeu:

“De certa forma, sim.”

Segundo a reportagem, Albino podia passar meses acompanhando uma pessoa antes de cometer o crime. A investigação aponta que ele utilizava redes sociais para monitorar possíveis vítimas, observando informações como rotina, localização e hábitos.

A maioria dos alvos identificados pela polícia era formada por jovens, principalmente mulheres entre 13 e 25 anos. Os investigadores também apontaram um padrão de características físicas entre parte das vítimas.

O condenado mantinha registros relacionados aos assassinatos. Entre os materiais encontrados estava um calendário no qual datas de mortes eram marcadas em vermelho.

Questionado sobre o motivo dos registros, Albino afirmou:

“Era uma questão de um troféu, uma medalha para poder guardar a questão dos dias que a vítima era ceifada... era um tipo de um hobby.”

Segundo ele, a anotação representava o encerramento da perseguição a determinado alvo.

“Era uma questão para poder colocar um ponto final que aquele alvo foi eliminado.”

A investigação também apontou que Albino chegou a frequentar velórios e cemitérios de algumas vítimas.

Durante a entrevista, Albino também falou sobre sua condição psicológica. A defesa havia solicitado que ele fosse submetido a exames psiquiátricos para avaliar a possibilidade de transtorno mental.

Os laudos, porém, apontaram que o condenado tinha consciência dos atos praticados e da gravidade dos crimes.

Questionado sobre a própria condição, ele afirmou ter um “certo distúrbio mental” e declarou:

“Eu não sou psicopata, sou esquizofrênico.”

Ao ser perguntado se havia recebido diagnóstico, respondeu que a condição estaria presente em sua família.

O programa também entrevistou o advogado Geoberto Bernardo de Luna, responsável pela defesa de Albino.

O defensor comentou a dificuldade de representar judicialmente alguém acusado de uma sequência de assassinatos.

“É difícil para qualquer advogado defender alguém que ceifou uma vida. Defender um serial killer, no caso Albino Santos de Lima, é 18 vezes mais difícil.”

O advogado também foi questionado sobre a estratégia jurídica utilizada no caso e afirmou que enfrenta dificuldades para construir a defesa diante da quantidade de acusações.

Albino está preso desde setembro de 2024 e é apontado pela Polícia Civil de Alagoas como responsável por uma série de homicídios cometidos entre 2019 e 2024.

As investigações atribuem a ele 18 homicídios consumados e seis tentativas de assassinato em diferentes bairros de Maceió.

Segundo a polícia, parte das vítimas teria sido escolhida nas proximidades da residência do investigado. A principal linha de investigação aponta que Albino acreditava que algumas delas tinham ligação com organizações criminosas.

Durante depoimentos, ele afirmou que era “possuído pelo fogo do Arcanjo Miguel” quando cometia os crimes e também declarou que desejava ser como o personagem Charles Bronson, da série de filmes Desejo de Matar.

Durante a prisão, os policiais apreenderam uma arma de fogo, munições, balaclava, máscaras, luvas e um celular na residência do acusado.

A análise do aparelho revelou imagens relacionadas a túmulos de vítimas, notícias sobre homicídios e arquivos com nomes, fotografias e anotações.

Também foram encontradas pastas com informações sobre sobreviventes e possíveis futuras vítimas. Entre os materiais havia uma lista identificada como “odiadas do Instagram”.

Segundo a investigação, esse conteúdo ajudou a polícia a estabelecer conexões entre Albino e diferentes crimes.

O documentário da Record revisitou ainda episódios em que crimes inicialmente tiveram outras linhas de investigação. Novas evidências levaram os investigadores a reavaliar casos e buscar conexões entre as ocorrências.

Uma denúncia feita por uma moradora também teria sido importante para o avanço da apuração. Após reconhecer Albino em imagens divulgadas pela polícia, ela procurou as autoridades e forneceu informações que ajudaram a direcionar a investigação.

Sobreviventes de ataques também foram ouvidos pela produção. Um deles, identificado como Alan, relatou ter sido baleado e afirmou que Albino teria acreditado que ele havia morrido.

Atualmente, Albino Santos de Lima permanece custodiado em uma cela isolada e cumpre as condenações já determinadas pela Justiça.

O condenado ainda será submetido a novos julgamentos relacionados a outros crimes atribuídos a ele. A Justiça de Alagoas já havia previsto três novos júris para novembro.

As declarações dadas na entrevista não substituem as investigações e decisões judiciais relacionadas aos crimes ainda em apuração. A Polícia Civil continua analisando os elementos reunidos para determinar a responsabilidade de Albino nos demais homicídios e tentativas atribuídos ao investigado.