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Pesquisador da Ufal alerta para impactos da poluição por plástico na biodiversidade

Estudo publicado em revista internacional destaca riscos ambientais e defende mudanças na produção, consumo e descarte do material

Por Redação* 28/07/2026 10h10
Pesquisador da Ufal alerta para impactos da poluição por plástico na biodiversidade
Estudo publicado em revista internacional reforça a necessidade de reduzir a produção e o consumo de plásticos de uso único - Foto: Assessoria

O pesquisador Robson Santos, do Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde (ICBS) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), alertou para os impactos da poluição por plástico sobre a biodiversidade e defendeu medidas que vão além da reciclagem para enfrentar o problema. O tema ganha destaque durante a campanha mundial Julho sem Plástico, voltada à conscientização sobre os danos causados pelo descarte inadequado desse material.

Em junho deste ano, o pesquisador publicou, em parceria com cientistas de diferentes países, o artigo The effects of plastic pollution on biodiversity ("Os efeitos da poluição por plásticos na biodiversidade", em tradução livre). O trabalho foi destaque na edição de julho da revista científica Nature Reviews Biodiversity, integrante do grupo Nature Portfolio.

Segundo Robson Santos, embora o plástico tenha revolucionado setores como a medicina por ser leve, resistente e versátil, essas mesmas características contribuíram para seu acúmulo no meio ambiente, especialmente devido à produção em larga escala de itens descartáveis e de uso único.

O pesquisador destaca que diversos estudos já comprovam os efeitos da poluição plástica sobre a fauna, incluindo obstrução do sistema digestivo, danos celulares, alterações no desenvolvimento e na reprodução dos animais. Em alguns casos, a ingestão de plástico pode comprometer populações inteiras de determinadas espécies, especialmente aquelas que já estão ameaçadas de extinção.

Dados apresentados pelo pesquisador mostram que a produção mundial de plástico ultrapassa 516 milhões de toneladas por ano, sendo cerca de 40% destinadas a produtos de uso único. O Brasil ocupa a quarta posição entre os maiores geradores de resíduos plásticos do planeta.

Para Robson Santos, a solução passa por mudanças estruturais na forma como o plástico é produzido, consumido e descartado. Ele ressalta que menos de 10% do plástico produzido no mundo é reciclado e, no Brasil, esse índice gira em torno de 1%, tornando insuficiente a aposta exclusiva na reciclagem.

Além de defender políticas públicas voltadas à economia circular, o pesquisador afirma que atitudes individuais também podem contribuir para reduzir a poluição, como evitar o consumo de produtos descartáveis e optar por alternativas reutilizáveis. Ele revelou ainda que uma proposta para a criação de um plano estadual de combate à poluição por plástico está sendo elaborada para ser apresentada ao Governo de Alagoas.

*Com informações da Assessoria