Geral
Rota dos Milagres vira alvo do MP após disputa por avanço de construções no Litoral Norte de AL
Entidade do setor turístico contesta novo Plano Diretor de Passo de Camaragibe por flexibilizar limites construtivos sem estudos ambientais; Ministério Público notifica prefeitura
O avanço da especulação imobiliária e o adensamento construtivo no litoral alagoano ganharam um novo capítulo institucional. O Ministério Público do Estado de Alagoas (MP/AL) instaurou uma Notícia de Fato para apurar possíveis irregularidades no novo Plano Diretor de Passo de Camaragibe (Lei Complementar nº 07/2025), após representação protocolada pela Associação Empresarial e Turística Rota Ecológica dos Milagres (Alagoas Luxury).
A entidade que representa o setor produtivo e turístico contesta o aumento dos limites de construção e a flexibilização de parâmetros urbanísticos no município. A alegação é que a nova legislação destoou dos critérios consolidados nas cidades vizinhas de São Miguel dos Milagres e Porto de Pedras, que mantêm diretrizes voltadas ao turismo de baixa densidade e à preservação ambiental.
Entre os pontos críticos apontados na denúncia ao MP estão:
Ausência de Estudos Ambientais: Aprovação das novas regras sem a apresentação prévia de Estudo de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) para avaliar o adensamento cumulativo.
Gargalos em Saneamento: Faltas de garantias sobre a capacidade de suporte em infraestrutura de saneamento básico e abastecimento de água.
Questionamentos à Gestão Democrática: Falhas na transparência e no debate técnico durante as audiências públicas com a população.
Riscos Socioambientais: Ameaças de contaminação de rios, praias e lençol freático, além do risco de descaracterização do modelo turístico local.
Diante do caso, a promotora de Justiça Jheise de Fátima Lima da Gama notificou a Prefeitura de Passo de Camaragibe em despacho assinado no dia 19 de julho de 2026, fixando o prazo de 10 dias para que a gestão municipal preste esclarecimentos formais.
Tensão socioambiental e conflitos territoriais no Litoral Norte
A disputa jurídica reflete um cenário de crescente pressão imobiliária na Rota Ecológica. Na vizinha Porto de Pedras, o avanço de construções privadas, muros e cercas nas praias da Lage e do Patacho tem bloqueado acessos históricos e comprometido a rotina de comunidades pesqueiras tradicionais. O impacto sobre os trabalhadores da pesca artesanal já motivou reuniões de mediação e inspeções promovidas pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela Defensoria Pública da União (DPU).
O fenômeno repete um padrão observado na capital alagoana. Em Maceió, o avanço do mercado imobiliário em bairros do Litoral Norte — como Guaxuma, Garça Torta e Riacho Doce — também é objeto de ações do MP/AL, que recorreu ao Tribunal de Justiça para exigir o cumprimento de instrumentos como o Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) na aprovação de novos empreendimentos.
Posição dos municípios
Em nota, a Prefeitura de Porto de Pedras defendeu a manutenção de seu modelo restritivo de ocupação e ressaltou que exige o cumprimento estrito das normas municipais, lembrando que o licenciamento ambiental de grandes obras cabe ao Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA).
As prefeituras de Passo de Camaragibe e de São Miguel dos Milagres foram procuradas pela reportagem para se manifestar sobre as notificações do MP e a integração do planejamento regional, mas não enviaram resposta até a publicação.
Com Cada Minuto.

