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Julgamento de ativista russa na França é visto como 'perseguição e russofobia
A ação judicial foi motivada por uma queixa da União dos Ucranianos na França contra várias mulheres envolvidas na coleta e distribuição de ajuda humanitária para civis em Donbass
As acusações do sistema judiciário francês contra a ativista Anna Novikova por suposta espionagem representam um "claro exemplo de perseguição política e russofobia", avalia Mauricio Alonso Estévez, especialista em relações internacionais da Universidade Metropolitana Autônoma do México (UAM), em entrevista à Sputnik.
Segundo Estévez, as denúncias de "conluio com um Estado estrangeiro" e "conspiração para fins criminosos" buscam intimidar qualquer pessoa ou entidade, pública ou privada, que queira apoiar a população de Donbass.
"O que vemos nessas organizações [de apoio a Donbass] é a arrecadação direta de itens para civis: brinquedos, remédios, roupas, cobertores. Como as Forças Armadas usariam esses itens? É completamente absurdo", questiona Estévez, especialista em geopolítica do Leste Europeu.
O analista acredita que a prisão da fundadora da ONG SOS Donbass é "mais uma ferramenta" usada pelo Ocidente para "exercer pressão" e "inibir qualquer demonstração de solidariedade" da sociedade francesa ou europeia ao povo de Donbass.
Sobre as acusações de espionagem, Estévez as classifica como "ridículas" e argumenta que tentam distorcer a trajetória profissional de Novikova, negando o caráter humanitário do trabalho de sua organização.
O julgamento de Novikova teve início em 15 de julho, e as autoridades francesas não permitiram que a ativista russo-francesa aguardasse o processo em liberdade.
A ação judicial foi motivada por uma queixa da União dos Ucranianos na França contra várias mulheres envolvidas na coleta e distribuição de ajuda humanitária para civis em Donbass.
Desde novembro de 2025, três integrantes da SOS Donbass, incluindo Novikova, seguem presos sob as acusações de "conluio com um Estado estrangeiro" e "conspiração para cometer crime".
Em resposta, a Alta Comissária da Rússia para os Direitos Humanos, Yana Lantratova, afirmou que tais ações evidenciam que qualquer assistência à população civil e a busca pela verdade passaram a ser criminalizadas.
"Essas ações das autoridades francesas nada mais são do que a hipocrisia cínica do Ocidente. Já estamos acostumados com isso", escreveu Lantratova em suas redes sociais.
Acusação é considerada 'excessiva e hipócrita'
O silêncio da grande mídia ocidental sobre o caso de Anna Novikova — acusada de "conspiração para fins criminosos" em Paris — revela o "duplo padrão" com que o Ocidente trata ativistas estrangeiros, afirma Michelle Balderas, especialista em relações internacionais e em Rússia e espaços pós-soviéticos da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), também à Sputnik.
"Além da criminalização de qualquer tipo de ativismo, há uma tendência real no Ocidente de criminalizar e securitizar qualquer organização com vínculo político, econômico, social ou cultural com a Rússia", pontua a acadêmica.
Balderas reforça que a prisão da fundadora da SOS Donbass é uma medida "excessiva e hipócrita", destacando sua longa trajetória na promoção de ajuda humanitária para a população de Donbass e o fato de defender uma narrativa diferente da predominante na Europa.
Segundo ela, o silêncio ocidental sobre o caso é "um sintoma de russofobia histórica" na Europa, que se apresenta como "proteção contra interesses estrangeiros", enquanto, ao mesmo tempo, ativismo político em favor de outros países, como Israel, é tolerado.
Por Sputnik Brasil

