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Amazônia registra menor índice de desmatamento em dez anos, aponta Inpe
Dados do sistema Deter mostram queda de 38% nos alertas de perda de vegetação no primeiro semestre de 2026. O Cerrado também apresentou redução, mas segue liderando em área afetada.
A Amazônia registrou, entre janeiro e junho de 2026, a menor área com alertas de desmatamento desde o início da série histórica do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), em 2016. Os dados, divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), apontam uma redução de 38% em relação ao mesmo período do ano passado.
Segundo o levantamento, foram identificados 1.295 quilômetros quadrados de áreas com indícios de retirada de vegetação nativa no primeiro semestre deste ano. O resultado supera o antigo recorde de menor índice para o período, registrado em 2017, quando o sistema apontou 1.332 km² sob alerta.
Criado para auxiliar órgãos de fiscalização ambiental, o Deter utiliza imagens de satélite para detectar alterações recentes na cobertura vegetal. Os alertas indicam locais onde há sinais de desmatamento e servem para orientar ações de combate aos crimes ambientais, mas não correspondem à taxa oficial de desmatamento do país.
O Inpe destaca que a redução observada significa uma desaceleração na abertura de novas áreas desmatadas, e não a recuperação da floresta já perdida. Áreas derrubadas em anos anteriores continuam contabilizadas como desmatadas.
Cerrado ainda concentra maior área sob alerta
O Cerrado também apresentou queda nos indicadores. Entre janeiro e junho de 2026, o bioma registrou 3.142 km² sob alerta de desmatamento, o menor valor para um primeiro semestre desde 2021. Apesar disso, a redução foi de aproximadamente 6% em relação ao mesmo período de 2025, percentual inferior ao observado na Amazônia.
Mesmo com a melhora, o Cerrado continua sendo o bioma com maior extensão sob alerta de perda de vegetação, concentrando uma área cerca de 2,4 vezes superior à registrada na Amazônia durante os seis primeiros meses do ano.
Em junho, a Amazônia contabilizou 297,26 km² de novos alertas, frente aos 457,61 km² registrados no mesmo mês de 2025, uma queda de 35%. No Cerrado, o recuo foi mais discreto: de 508,69 km² para 481,53 km², redução de 5,3%.
O Inpe informou que a presença de nuvens em parte do Cerrado durante o mês pode ter dificultado a identificação de novas áreas desmatadas, já que o monitoramento depende de imagens captadas por satélite.
Calendário acompanha o ciclo do desmatamento
Além da comparação por ano civil, o instituto utiliza um calendário específico para acompanhar o comportamento do desmatamento, iniciado em agosto e encerrado em julho do ano seguinte. O modelo considera fatores sazonais, como períodos chuvosos e cobertura de nuvens, que influenciam tanto a ocorrência quanto a detecção da perda de vegetação.
Entre agosto de 2025 e junho de 2026, a Amazônia acumulou 2.485,9 km² de áreas sob alerta, uma redução de 37,2% em comparação com o mesmo intervalo anterior. No Cerrado, o total foi de 4.689,4 km², representando queda de 7,9%.
Deter e Prodes têm funções diferentes
O Inpe reforça que o Deter não produz a taxa oficial de desmatamento no Brasil. Esse papel cabe ao Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes), que realiza uma análise mais detalhada das imagens e divulga, anualmente, a área efetivamente desmatada.
Enquanto o Deter identifica rapidamente novos focos para orientar operações de fiscalização, o Prodes consolida os dados que servem como referência oficial sobre a perda de vegetação no país.

