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EUA classificam como 'absurda' avaliação do Itamaraty sobre risco de ação militar

O porta-voz do Departamento de Estado afirmou que Washington atua dentro de suas prerrogativas soberanas para combater "narcoterroristas" e proteger a população dos EUA

Por Sputnik Brasil com Redação 08/07/2026 05h05
EUA classificam como 'absurda' avaliação do Itamaraty sobre risco de ação militar
Foto: © Marcelo Camargo / Agência Brasil

O governo dos Estados Unidos classificou como "absurda" a avaliação do Itamaraty de que a decisão americana de enquadrar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas poderia abrir espaço para uma ação militar no Brasil.

Segundo a imprensa brasileira, o porta-voz do Departamento de Estado afirmou que Washington atua dentro de suas prerrogativas soberanas para combater "narcoterroristas" e proteger a população dos EUA, destacando que facções brasileiras já operam em território norte-americano.

A resposta norte-americana veio após o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, encaminhar à Câmara dos Deputados um documento alertando para o risco de uma eventual operação militar dos EUA no Brasil como consequência da nova classificação. Vieira ressaltou que o governo brasileiro não foi previamente informado sobre o anúncio feito pelo secretário de Estado, Marco Rubio, e se opôs à medida por considerá-la pouco benéfica e potencialmente prejudicial ao país.

No documento, o chanceler advertiu que a rotulagem unilateral pode justificar ações extraterritoriais sobre instituições brasileiras, especialmente nos âmbitos financeiro, migratório e penal, mencionando explicitamente o "risco de uso da força militar" norte-americana, conforme apuração da imprensa. A manifestação foi enviada em resposta a um pedido de informações do deputado Evair de Melo (PP), que questionou os impactos da decisão dos EUA.

A classificação das facções como terroristas, anunciada em junho, contrariou o governo brasileiro e abriu caminho para medidas mais rígidas e unilaterais por parte dos Estados Unidos. Na semana passada, o governo Trump aplicou a primeira rodada de sanções econômicas contra indivíduos e empresas supostamente ligados ao PCC, bloqueando bens e restringindo transações financeiras nos EUA.

As sanções intensificam a tensão diplomática entre os dois países, enquanto o governo brasileiro busca minimizar os efeitos internos da classificação e evitar que a decisão norte-americana sirva de justificativa para ações que possam afetar a soberania nacional.