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Turquia veta escalas de cruzeiro LGBTQ+ por "valores familiares"

Segundo organizadora da viagem, autoridades turcas alegaram incompatibilidade com os "valores familiares" e impediram que o navio atracasse em dois portos do país.

Por Redação 03/07/2026 11h11
Turquia veta escalas de cruzeiro LGBTQ+ por 'valores familiares'
Com o veto, o navio deixou de fazer escalas em Kuşadası e Istambul e seguirá para novos destinos no Egito e na Grécia. - Foto: Virgin/Divulgação

As autoridades da Turquia impediram que um cruzeiro voltado ao público LGBTQ+ atracasse em portos do país, levando à alteração do roteiro da viagem pelo Mediterrâneo. A decisão foi atribuída pelas autoridades locais à defesa dos chamados "valores familiares" e provocou críticas da empresa responsável pelo evento.

O cruzeiro "Atenas a Veneza", organizado pela Atlantis Events, partirá da Grécia neste sábado (5) e tinha como previsão realizar paradas na cidade portuária de Kuşadası e, posteriormente, em Istambul. No entanto, as duas escalas foram canceladas após decisão das autoridades turcas.


Segundo a empresa, os órgãos locais justificaram a medida afirmando que o navio havia sido fretado por grupos "conhecidos por comportamentos incompatíveis com os valores da nossa sociedade e com a nossa moral".


Com a mudança, a embarcação Scarlet Lady, da companhia Virgin Voyages, passará a atracar no Cairo, no Egito, e na ilha grega de Creta.


O presidente e CEO da Atlantis Events, Rich Campbell, classificou a decisão como inédita para a empresa, que atua há 36 anos organizando viagens voltadas ao público LGBTQ+.


"É bastante surpreendente, para ser honesto. Quer dizer, o motivo é que se trata de um grupo gay."


Campbell também criticou a decisão das autoridades turcas.


"É muito preocupante para mim quando um país decide que pode escolher quais turistas podem entrar e quais não."


Segundo o executivo, esta foi a primeira vez que a empresa foi oficialmente informada de que poderia ser impedida de operar em um destino em razão do perfil de seus passageiros.


A viagem tem duração de dez dias e deve reunir cerca de 1.900 passageiros, sendo aproximadamente 1.100 norte-americanos. O restante do público é formado por turistas do Reino Unido, Canadá, Austrália e outros países.


Em nota enviada aos viajantes, a Atlantis informou que as alterações ocorreram por "circunstâncias alheias à nossa vontade", após o cancelamento das escalas pelas autoridades da Turquia.


O episódio acontece em um contexto de endurecimento das políticas do governo do presidente Recep Tayyip Erdoğan em relação à comunidade LGBTQ+. Nos últimos anos, organizações de direitos humanos têm criticado o aumento da retórica contrária ao grupo no país. Desde 2015, as autoridades turcas também proíbem a realização das Paradas do Orgulho em Istambul, alegando motivos de segurança pública.


A Atlantis ressaltou que sua atuação é exclusivamente voltada ao turismo e ao entretenimento.


"Não somos uma organização política. Não estamos lá para nada além de gastar dinheiro, nos divertir, fazer passeios e tratar com extremo respeito todas as culturas que visitamos", afirmou Rich Campbell.


Até o momento, o Ministério da Cultura e Turismo da Turquia, a embaixada turca em Washington e a Virgin Voyages não haviam se pronunciado oficialmente sobre o caso.