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Papa Leão 14 chama abusos sexuais no clero de “praga” e cobra justiça

Durante visita oficial à Espanha, pontífice criticou a atuação da Igreja diante de denúncias e defendeu medidas mais firmes de prevenção, acolhimento e reparação às vítimas.

Por redação 08/06/2026 17h05
Papa Leão 14 chama abusos sexuais no clero de “praga” e cobra justiça
Pontífice tratou de denúncias de abusos no clero e pediu resposta mais firme da Igreja Católica às vítimas. - Foto: REPRODUÇÃO

O papa Leão 14 afirmou nesta segunda-feira (8) que os abusos sexuais cometidos por membros do clero representam uma “praga” para a Igreja Católica e defendeu uma resposta baseada em “escuta, verdade, justiça e reparação” às vítimas. A declaração foi feita durante encontro com bispos da Espanha, no contexto de sua visita oficial ao país.

O pontífice destacou que uma das experiências mais dolorosas para a Igreja é lidar com pessoas feridas justamente por aqueles que deveriam cuidar delas. Ele afirmou que vítimas devem encontrar na instituição acolhimento, proteção e caminhos concretos para a cura.


“Diante desta praga, a comunidade eclesiástica é chamada a responder com escuta, verdade, justiça e reparação”, declarou Leão 14.


A visita ocorre em meio a críticas de grupos de ativistas, que acusam a Igreja de não adotar medidas suficientes para enfrentar o problema. Segundo o Vaticano, o papa teria um encontro reservado com vítimas na Nunciatura Apostólica, em Madri, mas sem divulgação de detalhes.


A ausência de participação de associações de vítimas gerou protestos em frente à representação diplomática da Santa Sé, com cobranças por mais transparência e participação no processo de escuta.


Os ativistas também reivindicam medidas adicionais, como acompanhamento psicológico contínuo, indenizações e suporte educacional e profissional às vítimas de abusos.


Na Espanha, o tema tem grande impacto social. Um relatório divulgado em 2023 pelo Defensor do Povo estimou que mais de 200 mil menores possam ter sido vítimas de abusos sexuais cometidos por membros do clero desde 1940, o que agravou a crise de confiança na Igreja no país.


Em resposta à pressão pública, governo espanhol e Igreja firmaram um acordo neste ano para indenização de vítimas, após décadas de debates e acusações de falta de transparência.


Além da pauta dos abusos, Leão 14 também discursou no Congresso espanhol, onde afirmou que o mundo vive uma “profunda crise espiritual e cultural”, marcada por polarização, violência e desconfiança.


O papa ainda abordou a questão migratória, defendendo cooperação internacional para lidar com o fluxo de pessoas que deixam seus países por guerras, pobreza e mudanças climáticas. Ele alertou que a falta de resposta coordenada coloca em risco os fundamentos éticos da ordem global.


A agenda do pontífice inclui ainda visita a Barcelona, onde deve abençoar uma nova torre da Basílica da Sagrada Família, além de uma passagem pelas Ilhas Canárias, região marcada pela rota migratória para a Europa.