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Plataformas de petróleo desativadas podem virar bases para pouso de foguete
Batizada de Projeto Able Baker, a iniciativa busca reduzir custos operacionais e dar novo destino a estruturas offshore
A Força Aérea dos Estados Unidos estuda transformar plataformas de petróleo desativadas em bases marítimas para pouso e recuperação de foguetes reutilizáveis, criando uma alternativa mais acessível, ágil e sustentável às operações tradicionais em terra e ao uso de navios especializados.
Batizada de Projeto Able Baker, a iniciativa busca reduzir custos operacionais e dar novo destino a estruturas offshore que, quando desativadas, podem se tornar passivos ambientais. O plano prevê o uso dessas plataformas tanto por foguetes da Força Espacial quanto por empresas privadas.
De acordo com a solicitação oficial, o objetivo é criar "uma rede distribuída de locais de recuperação que aumentem a frequência de lançamentos, reduzam a exposição ao estrondo sônico e aproveitem a infraestrutura marítima existente".
A proposta surge como alternativa ao atual modelo de recuperação com navios, utilizado por empresas como a SpaceX, diminuindo a dependência de embarcações especializadas e permitindo maior cadência de lançamentos.
Para operar foguetes como Falcon 9, Vulcan e New Glenn, as plataformas precisarão ser reforçadas para suportar vibrações extremas, cargas concentradas e a pluma dos motores. O projeto também prevê sistemas de deflexão de chamas, supressão remota de incêndio e navegação de precisão para pousos autônomos, além de balsas ou módulos VTOL (Decolagem e Pouso Vertical) para transportar os estágios recuperados até embarcações de apoio.
Na primeira fase, as empresas participantes devem demonstrar a viabilidade técnica e econômica do conceito, incluindo análise estrutural, avaliação ambiental e um roteiro regulatório para operações em águas federais. Também podem ser solicitadas a identificar ao menos três plataformas aptas a receber foguetes de grande porte, considerando impactos do estrondo sônico na navegação, comunidades costeiras e no ecossistema local.
O projeto precisa ainda se alinhar ao programa federal Rigs to Reefs, que transforma plataformas desativadas em recifes artificiais. A segunda fase prevê a instalação de um kit modular de reforço em seções de convés para testes com quedas de massa entre dez e 25 toneladas ou simulações de incêndio, a fim de medir deformação, vibroacústica e interação com a pluma dos motores.
Segundo a mídia norte-americana, diante do aumento acelerado de lançamentos e satélites em órbita, a Força Aérea vê nas plataformas convertidas uma solução para aliviar a pressão sobre instalações terrestres e acelerar o ciclo de lançamento e recuperação, além de reduzir os custos operacionais de descomissionamento e remoção das plataformas, estimados em cerca de US$ 1,6 bilhão (mais de R$ 7,9 bilhões) cada.
O Programa de Pesquisa em Inovação para Pequenas Empresas (SBIR, na sigla em inglês) afirma que, "ao reaproveitar ativos offshore legados, o sistema oferece uma alternativa estratégica às operações tradicionais de lançamento e pouso costeiros", ampliando a cadência e reduzindo riscos acústicos e de detritos.
Por Sputnik Brasil


