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"Um buraco no meu coração": o desabafo do companheiro de cabeleireiro morto após comer caranguejo

Lucas Cerqueira relata que o parceiro viveu intensamente o sonho de conhecer o mar antes da fatalidade; "Parece que tudo era uma despedida", afirmou

Por Redação com agências 09/05/2026 17h05 - Atualizado em 09/05/2026 18h06
'Um buraco no meu coração': o desabafo do companheiro de cabeleireiro morto após comer caranguejo
Eryvelton Gomes - Foto: Reprodução

A viagem planejada para ser o cenário de descanso de um casal de cabeleireiros de Mato Grosso tornou-se o palco de um luto inesperado na Praia do Francês. Lucas Cerqueira, companheiro de Eryvelton Gomes, detalhou em um relato carregado de emoção como o sonho de conhecer o mar foi vivido com uma intensidade que, agora, soa como um prenúncio.

Lucas destacou que Eryvelton, habitualmente reservado e focado apenas em registros profissionais de seu trabalho em Cuiabá, mudou completamente de postura durante os dias em Alagoas. O cabeleireiro pedia constantemente para ser filmado e fotografado, demonstrando uma urgência em registrar cada momento. "Parece que tudo era uma despedida", relembrou Lucas, enfatizando que o parceiro sentia estar realizando também um desejo de sua falecida mãe ao pisar na areia pela primeira vez.

A parceria do casal ia além da vida pessoal, estendendo-se ao salão de beleza onde construíram juntos suas carreiras. O impacto da perda repentina foi resumido por Lucas em uma frase de forte impacto emocional sobre o vazio deixado pelo companheiro. "Ele era meu parceiro em tudo. Perder ele abriu um buraco dentro do meu coração que eu não sei como vou tapar", desabafou.

O relato também expõe a rapidez com que a diversão se transformou em desespero. Pouco antes da crise alérgica, Lucas chegou a registrar em vídeo o momento em que Eryvelton experimentava o caranguejo e brincava sobre estar pronto para morar no litoral. Apenas um minuto depois, a coceira na garganta e a falta de ar interromperam os planos do casal, expondo a fragilidade do sistema de socorro em uma das praias mais movimentadas do estado.

Apesar dos esforços dos socorristas locais, a ausência de suporte médico avançado para a aplicação de medicações cruciais, como a adrenalina, foi duramente criticada por Lucas. Eryvelton não resistiu à insuficiência respiratória após ser levado a uma UPA, deixando para trás uma trajetória interrompida no auge da realização de um sonho pessoal.