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Crochê transforma a vida de estudantes em Palmeira dos Índios

Iniciativa que começou no clube juvenil na Escola Estadual Almeida Cavalcanti se tornou projeto de pesquisa do Pibic Jr e fonte de renda para as jovens artesãs

Por Agência Alagoas 08/05/2026 10h10
Crochê transforma a vida de estudantes em Palmeira dos Índios
Clube juvenil mudou as vidas das estudantes e trouxe reconhecimento além dos muros da escola - Foto: Kaique Pacheco/ Ascom Seduc

Estudantes do ensino médio da Escola Estadual Almeida Cavalcanti, em Palmeira dos Índios, apresentaram no Centro de Inovação de Jaraguá os resultados finais de pesquisas financiadas pelo Programa de Bolsas de Iniciação Científica Júnior (Pibic Jr). Entre vários projetos, o "Clube do Crochê" se destacou pela delicadeza e pelo impacto social.

Integrando a trilha de "Iniciação à Inovação e ao Empreendedorismo", o projeto mostra como a ciência na escola pública pode ir além dos laboratórios, valorizando a cultura local e promovendo novas oportunidades para os estudantes. Nesta reportagem especial, conheça a iniciativa que começou como uma atividade de relaxamento e hoje se tornou fonte de renda para jovens, inclusive chamando a atenção da plataforma de comércio eletrônico Shopee.

Do relaxamento ao protagonismo

O "Clube do Crochê" nasceu a partir da observação da professora e coordenadora Josefa Mônica, que percebeu o interesse das alunas pelo artesanato durante o "clube juvenil" – uma atividade do ensino médio integral para explorar interesses em comum. Inicialmente, o crochê era visto apenas como passatempo, mas a professora inscreveu a ideia no Pibic Jr, sendo selecionada para desenvolver competências socioemocionais e empreendedorismo na escola.

Ao todo, 12 alunas – 10 bolsistas e 2 voluntárias – mergulharam no projeto. Nomes como Ana Beatriz, Joana Kézia e Samara Victória passaram a enxergar o crochê não só como herança cultural, mas também como uma ciência que exige paciência e foco.

Concentração e calma

O impacto do crochê foi imediato na saúde mental das estudantes. Em um mundo acelerado e digital, o ritmo tranquilo do artesanato trouxe equilíbrio e bem-estar. Samara Victória, uma das bolsistas, relata: "Participar do clube me ajudou muito no desenvolvimento da concentração. No início, era apenas um passatempo, mas aprendi a valorizar o passo a passo. Cada ponto me ensinou que grandes resultados levam tempo e que errar faz parte do processo de criação".

Samara também destaca a influência positiva do crochê no desempenho escolar: "A paciência exercida ao fazer crochê reflete diretamente em outras matérias. O crochê me deixa mais calma e focada para aprender coisas novas. Tornou-se um espaço de tranquilidade em meio à rotina corrida dos estudos".

Empreendedorismo e reconhecimento

O "Clube do Crochê" foi além da produção artesanal. O projeto inovou ao ensinar marketing digital e criação de canais de vendas online. As peças, confeccionadas semanalmente, ultrapassaram os muros da escola, foram apresentadas em eventos como o Sigma Festival e despertaram o interesse da Shopee. Recentemente, as alunas participaram de uma formação do programa Alagoas Feita à Mão, que visa inserir artesãos alagoanos em plataformas de comércio eletrônico, e conquistaram suas carteiras de artesãs.

A formalização abre novos horizontes para as estudantes, garantindo visibilidade e profissionalização. "Elas já estão comercializando aqui em Palmeira dos Índios e fora também. Para mim, foi gratificante abrir portas por meio do PIBIC Jr para que elas aprendessem uma nova forma de geração de renda alinhada à escola", comemora a coordenadora Josefa Mônica.