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China amplia tarifa zero e abre novo ciclo de oportunidades para exportações

A decisão foi recebida como um sinal robusto de apoio ao multilateralismo

Por Sputnik Brasil com Redação 04/05/2026 06h06
China amplia tarifa zero e abre novo ciclo de oportunidades para exportações
Foto: © AP Photo / Arvato Supply Chain Solutions

A ampliação da política de tarifa zero da China para todos os países africanos com laços diplomáticos abre um novo ciclo de oportunidades para exportações, investimentos e desenvolvimento econômico no continente.

A decisão foi recebida como um sinal robusto de apoio ao multilateralismo, especialmente em um cenário de crescente protecionismo global. Segundo o jornal Global Times, o ex-ministro etíope Arkebe Oqubay avalia que a medida cria novas perspectivas para a modernização industrial africana e contribui para a redução da pobreza.

Oqubay destacou à mídia asiática que a política ganha ainda mais relevância diante das tarifas impostas por grandes economias e dos desafios comerciais enfrentados por nações africanas, que frequentemente apresentam déficits com mercados desenvolvidos. Para ele, o tratamento tarifário chinês deve impulsionar as exportações africanas, melhorar a balança comercial e diversificar o comércio bilateral.

O ex-ministro ressaltou que o aumento das exportações beneficiará diretamente agricultores e setores ligados à produção agrícola, essenciais para a renda de milhões de famílias africanas. Ele também frisou que a expansão comercial fortalece a capacidade dos países do continente de crescer e combater a pobreza.

Desde 1º de maio, a China passou a conceder tarifa zero a 20 países africanos não classificados como países menos desenvolvidos (PMDs), somando-se aos 33 PMDs que já tinham acesso livre desde dezembro de 2024. Com isso, tornou-se a primeira grande economia a oferecer isenção tarifária unilateral a todos os países africanos com relações diplomáticas.

A política já está em vigor, e o primeiro lote de produtos — 24 toneladas de maçãs sul-africanas — entrou na China sob o novo regime. Para Oqubay, os ganhos imediatos devem ser sentidos em setores como agricultura, pecuária, oleaginosas, horticultura e mineração, incluindo minerais críticos e metais preciosos.

No longo prazo, Oqubay afirma que a medida pode ajudar a África a superar a dependência de exportações primárias, estimulando o processamento local, a produção de bens de maior valor agregado e serviços relacionados, além de atrair mais investimento chinês e gerar empregos. Países como Quênia e África do Sul já se mobilizam para adaptar certificações e procedimentos alfandegários.

Oqubay também enfatizou que o acesso ampliado ao mercado chinês pode fortalecer os setores de manufatura, agricultura e mineração, além de aliviar pressões sobre a balança de pagamentos e a escassez de divisas. Segundo ele, a política contribui para ampliar a capacidade produtiva africana.

A iniciativa foi elogiada por líderes africanos como um impulso à cooperação Sul-Sul em um momento de crises globais e avanço do isolacionismo. Para Pequim, a abertura reforça a parceria China-África, amplia a cooperação em energia verde e sustentabilidade e contribui para estabilidade, desenvolvimento comum e facilitação do comércio no continente.