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Trégua entre Trump e Irã é apenas manobra tática, avalia ex-militar dos EUA
Ele advertiu ainda que as hostilidades poderão ser retomadas em escala maior caso não haja consenso
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria concordado com um cessar-fogo com o Irã apenas para reorganizar suas forças no Oriente Médio, segundo análise publicada pelo ex-tenente-coronel norte-americano Daniel Davis na rede social X.
Na última segunda-feira (8), Trump declarou que todos os navios de guerra, aeronaves e efetivos das Forças Armadas dos EUA permanecerão no Oriente Médio até que um "acordo real" seja firmado com o Irã. Ele advertiu ainda que as hostilidades poderão ser retomadas em escala maior caso não haja consenso.
Comentando as declarações do presidente, Daniel Davis afirmou que, para Trump, a trégua de duas semanas com Teerã tem caráter estritamente tático e militar.
"Pelo post de hoje do presidente Trump no Truth Social, parece que ele concordou com um cessar-fogo com o Irã apenas para reabastecer o suprimento de munição de aeronaves e navios", escreveu Davis.
O ex-oficial acrescentou que tal postura reforça a imagem de Trump como um negociador pouco confiável, que simula diplomacia enquanto prepara novas ofensivas.
"Mas o presidente não ganhará materialmente com esse tempo extra ou com a recarga de munição, porque nosso problema não são quantidades adequadas de mísseis ofensivos e de defesa. O problema é que embarcamos em uma guerra sem justificativa, sem autorização legal, e isso é militarmente inatingível", avaliou Davis.
Nesta semana, Irã e EUA acordaram um cessar-fogo de duas semanas. O futuro entendimento pode ter como base o plano iraniano de dez pontos, que, segundo relatos, recebeu sinal verde dos Estados Unidos.
O documento prevê o fim das sanções ao Irã, o reforço do controle iraniano sobre o estreito de Ormuz, o direito ao enriquecimento de urânio, além de cláusulas de não agressão e cessação das hostilidades em todas as frentes, incluindo as operações de Israel contra o Hezbollah.
As conversas entre as partes estão agendadas para o dia 10 de abril, em Islamabad, capital do Paquistão.

