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Ultimato de Trump ao Irã isola EUA e eleva risco de conflito prolongado

O ultimato dos Estados Unidos ao Irã se aproxima, e Trump reiterou as ameaças durante uma longa coletiva na Casa Branca

Por Sputnik Brasil com Redação 07/04/2026 07h07
Ultimato de Trump ao Irã isola EUA e eleva risco de conflito prolongado
Foto: © AP Photo / Julia Demaree Nikhinson

Às vésperas do fim do prazo do ultimato norte-americano, Donald Trump voltou a ameaçar o Irã, afirmando que o país poderia ser "eliminado em uma noite" caso não acate as exigências dos EUA. Apesar do tom agressivo e de eventuais acenos à negociação, Teerã mantém a recusa e a desconfiança após ataques anteriores.

O ultimato dos Estados Unidos ao Irã se aproxima, e Trump reiterou as ameaças durante uma longa coletiva na Casa Branca. O presidente norte-americano afirmou que o Irã poderia ser "eliminado em uma noite" caso não aceitasse as condições de Washington até esta terça-feira (7), embora também tenha citado tentativas de diálogo. Até o momento, não há sinais de que Teerã esteja disposto a ceder.

Trump endureceu o discurso ao prometer destruir usinas elétricas e pontes iranianas, ignorando críticas de que tais ações poderiam configurar crimes de guerra. Ainda assim, disse acreditar que existe um interlocutor disposto a negociar no Irã e que espera evitar ataques diretos à infraestrutura do país. O ultimato inclui a reabertura do estreito de Ormuz, ponto estratégico central no conflito.

Durante a coletiva, Trump também criticou aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) por não contribuírem para a segurança do estreito, classificando a aliança como "tigre de papel".

O presidente ampliou as críticas a países como Coreia do Sul, Austrália e Japão, acusando-os de não apoiarem os EUA no enfrentamento ao Irã. As declarações reforçam o isolamento diplomático da estratégia norte-americana.

Pelo lado iraniano, autoridades reiteram que não aceitarão o ultimato sem garantias de que não serão atacadas novamente. O chefe da missão iraniana no Cairo afirmou que Teerã perdeu a confiança no governo Trump após bombardeios anteriores durante negociações.

Segundo analistas consultados pelo Global Times, diante da pressão, Washington alterna entre escalada e recuos táticos, tornando imprevisível o próximo movimento caso o acordo fracasse.

Especialistas ouvidos pela reportagem avaliam que o Irã dificilmente fará concessões significativas, enquanto os EUA enfrentam limitações para alterar sua postura. O envolvimento de Israel adiciona complexidade ao cenário: o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu tem pressionado Trump a não aceitar um cessar-fogo, temendo riscos estratégicos. Trump, por sua vez, insiste que só considerará uma trégua se o Irã entregar todo o urânio enriquecido e abandonar o programa nuclear.

A divergência entre os objetivos estratégicos de Washington e Tel Aviv sugere que os EUA podem estar sendo influenciados pela agenda israelense, aproximando o conflito de uma dinâmica de guerra por procuração. Essa dependência pode obscurecer os interesses norte-americanos, aumentar o risco de escalada e dificultar qualquer tentativa de desescalada, segundo analistas chineses citados pela mídia.

Com o prazo se esgotando e o Irã rejeitando tanto o ultimato quanto um cessar-fogo temporário, Trump se vê em posição delicada. Caso não haja acordo, ele pode estender o prazo novamente — algo que já fez três vezes nas últimas semanas — prolongando ainda mais o conflito e tornando o desfecho ainda mais incerto.

Por Sputnik Brasil