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Mediação de leitura na infância ganha espaço em Maceió
Práticas com bebês valorizam escuta, autonomia e vínculo com os livros na rede municipal
A mediação de leitura na primeira infância tem ganhado destaque em Maceió, com práticas que ampliam o contato de bebês e crianças pequenas com a literatura desde os primeiros anos de vida. A iniciativa é desenvolvida pela Secretaria Municipal de Educação de Maceió, por meio do Setor de Rede de Bibliotecas.
Nos Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs), as ações buscam construir uma relação sensível e significativa entre crianças e livros. A proposta prioriza experiências que respeitam o tempo, a autonomia e as diferentes formas de expressão de cada criança, indo além de modelos tradicionais de ensino.
Uma dessas experiências foi apresentada no 4º Simpósio Internacional da Literatura de Berço, realizado na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. O evento reuniu pesquisadores e educadores para discutir práticas de leitura voltadas a bebês e crianças bem pequenas.
O trabalho apresentado, intitulado “Entre livros e gestos: interações e vínculos no primeiro encontro de mediação de leitura com crianças bem pequenas em um CMEI de Maceió”, relata uma atividade desenvolvida com sete crianças no CMEI Professora Maria de Fátima Melo dos Santos, no bairro Tabuleiro do Martins.

Experiência valoriza interação e escuta
A metodologia utilizou elementos simples e próximos do universo infantil, como cantigas, objetos surpresa e fantoches, para despertar o interesse das crianças. Em seguida, foi apresentado o livro O Sapo Bocarrão, escolhido por suas características interativas e sensoriais.
Durante a mediação, as crianças reagiram de diferentes formas: algumas permaneceram próximas à atividade, outras circularam pelo espaço ou exploraram outros livros. Esse comportamento foi compreendido como parte natural do processo de aprendizagem.
A coordenadora da Rede de Bibliotecas da Semed, Simone de Souza, destaca que a prática exige uma mudança de perspectiva por parte dos educadores. “Quando a gente enxerga o bebê e a criança bem pequena como um sujeito potente, nós, enquanto mediadores, não temos como manter o controle”, afirmou.
Segundo ela, a mediação passa a ser menos direcionada e mais aberta à experiência da criança. “Tinha criança que saía do tapete, outras que voltavam, outras que iam olhar outros livros, e está tudo bem. Cada uma se conecta de um jeito”, disse.
Leitura como experiência desde o início
O acompanhamento das interações foi realizado por meio de observação, registros em diário de campo e documentação pedagógica, com o objetivo de compreender os modos de participação das crianças.
A iniciativa dialoga com o campo da Literatura de Berço, que investiga o contato inicial com a linguagem e a cultura escrita. A proposta reforça que a leitura começa antes da alfabetização formal, por meio de vínculos, experiências e significados construídos desde cedo.
Em Maceió, esse entendimento tem sido incorporado às políticas educacionais. Em 2025, o município consolidou ações voltadas à formação leitora nas creches e escolas da rede pública, ampliando o acesso à literatura e fortalecendo práticas pedagógicas na Educação Infantil.
*Com informações da Semed


