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Faculdade cria sala de apoio para estudantes com filhos autistas

Iniciativa em Maceió, durante o Abril Azul, busca garantir permanência de alunos no ensino superior

Por Redação* 01/04/2026 10h10
Faculdade cria sala de apoio para estudantes com filhos autistas
Sala de apoio busca garantir permanência de alunos no ensino superior durante cuidados com crianças com TEA - Foto: Reprodução

Em um país onde apenas 0,8% das pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) chegam ao ensino superior, segundo o IBGE, os desafios de permanência acadêmica também afetam diretamente famílias que convivem com essa realidade. Durante o Abril Azul, mês de conscientização sobre o autismo, a Faculdade Seune, em Maceió, implantou uma sala de apoio voltada a estudantes responsáveis por crianças com TEA.

A iniciativa tem como objetivo oferecer suporte a alunos que são pais ou cuidadores, contribuindo para a continuidade dos estudos. Dados do Censo Demográfico 2022 indicam que o Brasil possui cerca de 2,4 milhões de pessoas diagnosticadas com autismo, o equivalente a 1,2% da população.

Apesar de a taxa de escolarização entre pessoas com TEA ser superior à média geral, a presença no ensino superior ainda é limitada, refletindo obstáculos ao longo da trajetória educacional. A proposta da instituição atua diretamente em uma dessas barreiras: a dificuldade de conciliar a rotina acadêmica com os cuidados exigidos por crianças com necessidades específicas.

O espaço foi estruturado para acolher os filhos dos estudantes durante o período de aula, em um ambiente adaptado e com acompanhamento de profissionais especializados. A medida permite que os responsáveis frequentem as aulas com maior tranquilidade, enquanto as crianças recebem suporte adequado.

De acordo com o diretor da Faculdade Seune, Stuart Manso, a ação amplia o conceito de inclusão no ambiente acadêmico. “A gente entende que não basta garantir o acesso à faculdade. É preciso criar condições reais para que esse aluno permaneça e conclua sua formação. Muitos estudantes enfrentam dificuldades justamente por não terem com quem deixar seus filhos ou por precisarem de um suporte especializado. Essa iniciativa vem para acolher essas famílias e permitir que elas sigam com seus projetos de vida”, afirmou.

A criação da sala acompanha uma demanda crescente observada nas instituições de ensino. O aumento no número de diagnósticos de TEA, especialmente entre crianças e adolescentes, tem impactado a rotina de muitas famílias e exigido respostas mais inclusivas.

Dados do IBGE de 2022 apontam maior prevalência do autismo entre os mais jovens, com destaque para a faixa etária de 5 a 9 anos. Esse cenário ajuda a explicar as dificuldades enfrentadas por estudantes adultos na continuidade dos estudos, sobretudo na ausência de redes de apoio.

*Com informações da Assessoria