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OMS avalia risco de nova variante da covid-19 identificada em 23 países

Batizada de BA.3.2, a variante apresenta maior capacidade de escape imunológico em relação às cepas atualmente dominantes

Por Redação 30/03/2026 09h09
OMS avalia risco de nova variante da covid-19 identificada em 23 países
Teste de Covid-19 - Foto: Reprodução

Uma nova variante do vírus causador da covid-19 (SARS-CoV-2) já foi identificada em ao menos 23 países. China, Estados Unidos, Austrália e diversas nações europeias registraram casos, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA. No Brasil, até o momento, não há registros da nova linhagem.

Batizada de BA.3.2, a variante apresenta maior capacidade de escape imunológico em relação às cepas atualmente dominantes. Isso significa que suas mutações dificultam o reconhecimento pelo sistema imunológico humano, aumentando o risco de reinfecções e reduzindo a eficácia de vacinas e anticorpos existentes.

A BA.3.2 possui entre 70 e 75 mutações na proteína Spike — estrutura localizada na superfície do vírus e responsável por sua ligação às células humanas.

Entre as variantes predominantes no mundo, a JN.1 segue coberta pelos imunizantes atuais. Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Anvisa recomendaram a adaptação das vacinas para melhor proteção contra a linhagem LP.8.1.

A nova variante foi identificada pela primeira vez no continente africano, em novembro de 2024, em um menino de 5 anos na África do Sul. Em março de 2025, casos foram detectados em Moçambique e, posteriormente, na Holanda e na Alemanha.

A partir de setembro de 2025, houve aumento nas detecções da BA.3.2. Em países como Dinamarca, Alemanha e Holanda, cerca de 30% das amostras sequenciadas já correspondem a essa variante.

Nos Estados Unidos, a cepa foi identificada em viajantes vindos do Japão, Quênia, Holanda e Reino Unido. Além disso, análises de esgoto detectaram a presença da linhagem em 132 amostras coletadas em 25 estados norte-americanos.

O que diz a OMS


A Organização Mundial da Saúde afirma que ainda não há evidências de que as vacinas atuais sejam ineficazes contra a BA.3.2, nem de que a variante provoque quadros mais graves da doença. Também não foi observado aumento de hospitalizações ou mortes nas regiões onde ela circula.

Em avaliação divulgada em dezembro de 2025, a OMS reconheceu que a BA.3.2 apresenta um escape imunológico “substancial” em comparação com outras cepas.

Por outro lado, ainda não há comprovação de que a variante tenha maior capacidade de transmissão ou que possa substituir outras linhagens em circulação.

Até o momento, a OMS considera que a BA.3.2 “não parece representar riscos adicionais à saúde pública”. A principal recomendação segue sendo a vacinação contra a covid-19.