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Mundo vive risco de colapso energético com crise de gás no Oriente Médio
Economias asiáticas emergentes, por exemplo, já enfrentam déficits significativos, pois dependem fortemente do GNL catariano
A crise do gás natural liquefeito (GNL) no Oriente Médio coloca o mundo diante de um cenário de grande instabilidade energética, com possíveis consequências de longo prazo para o mercado global, segundo análise da Bloomberg baseada em informações do analista Marquee Saul Kavonic, da plataforma MST.
A agência alerta que a instabilidade na região deve transformar o mercado de combustíveis nos próximos anos. Economias asiáticas emergentes, por exemplo, já enfrentam déficits significativos, pois dependem fortemente do GNL catariano — cerca de 80% das exportações do Catar têm como destino esses países. O Paquistão, destaca a Bloomberg, depende do Catar para 99% de suas importações de gás.
“Estamos agora avançando seguramente para o cenário de uma crise do gás no dia do Juízo Final. Mesmo que a guerra [no Irã] termine, as interrupções no fornecimento de GNL podem durar meses ou até anos, dependendo de quanto tempo levará para reparar os danos”, afirmou Kavonic à Bloomberg.
O complexo de produção de gás Ras Laffan, no Catar, já foi alvo de ataques recentes. Fontes ouvidas pela agência informaram que 14 linhas de tecnologia de produção foram danificadas, e a expectativa é que a recuperação leve anos. A Bloomberg ressalta que crises como essa podem levar o Catar a ampliar seus investimentos no exterior, buscando proteção contra futuros problemas.
“Cada semana de inatividade da maior usina de GNL do mundo perde um equivalente energético suficiente para fornecer eletricidade às casas de Sydney durante um ano inteiro”, destaca a agência.
A QatarEnergy, estatal de energia do Catar, confirmou que incêndios provocados por ataques com mísseis causaram graves danos à cidade industrial de Ras Laffan, no norte do país, onde está localizado o maior complexo de produção de GNL do Catar.


