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Cirurgia inédita salva a vida de agricultor no HGE

Morador do povoado Pé Leve, o paciente foi salvo na capital Maceió

Por Agência Alagoas 19/03/2026 11h11
Cirurgia inédita salva a vida de agricultor no HGE
Agricultor já recebeu alta hospitalar e voltou para as suas terras no interior de Alagoas - Foto: Thallysson Alves / Ascom HGE

Uma dor torácica intensa durante o trabalho quase teve um desfecho trágico para o agricultor José Izídio Pereira Filho, de 57 anos, morador do povoado Pé Leve, zona rural de Limoeiro de Anadia. Após buscar orientação em Arapiraca, ele recebeu o tratamento que salvou sua vida no Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió.

Fumante e sem o hábito de realizar check-ups regulares, José Izídio saiu cedo para vender seus produtos agrícolas na feira da cidade. Enquanto comercializava alface, coentro, tomate, cebola e macaxeira, começou a sentir dores intensas no peito.

“Eu senti uma dor muito forte, diferente de tudo que já tinha sentido. A dor era ‘na boca do peito’, rolando de um lado para o outro. Era uma dor que você rolava pelo chão. Fiquei com medo de morrer”, relatou o agricultor.

Inicialmente, ele procurou atendimento em Limoeiro de Anadia, onde foi medicado e liberado. Sem melhora, decidiu seguir para Arapiraca, onde realizou exames em um hospital. Diante da gravidade, foi encaminhado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) local, que posteriormente o transferiu para o HGE, na capital.

No HGE, exames de imagem foram repetidos e a equipe de cirurgia vascular diagnosticou uma dissecção de aorta, condição grave e potencialmente fatal. "A dissecção de aorta ocorre quando há ruptura na camada interna da artéria, permitindo que o sangue se infiltre entre as camadas da parede do vaso. É uma emergência médica que pode levar à morte em poucas horas se não tratada rapidamente”, explicou o médico radiologista intervencionista Ângelo Bomfim.

O diagnóstico foi confirmado por tomografia computadorizada com contraste, que permitiu visualizar a extensão da lesão. “A rapidez no diagnóstico foi fundamental para o sucesso do tratamento de José. Na enfermaria, ele foi medicado, monitorado e, com condições clínicas favoráveis, submetido a um procedimento endovascular na hemodinâmica”, detalhou o especialista.

O procedimento utilizado é uma técnica menos invasiva, realizada por dentro dos vasos sanguíneos, sem necessidade de grandes incisões. O tratamento consistiu na implantação de uma endoprótese na aorta para corrigir a dissecção. “É um procedimento moderno, que reduz riscos e acelera a recuperação do paciente”, enfatizou Ângelo Bomfim.

Sintomas

Segundo o especialista, a dissecção de aorta pode apresentar sintomas como dor intensa e súbita no peito ou nas costas, sensação de rasgo ou pressão no tórax, falta de ar, tontura ou desmaio. Diante desses sinais, é essencial buscar atendimento imediato. Também é importante, preventivamente, controlar a pressão arterial, usar corretamente as medicações prescritas e manter check-ups regulares.

“Não se deve ignorar dores fortes no peito. Muitas vezes, o paciente acha que é algo simples, mas pode ser uma condição grave, como infarto ou dissecção de aorta. O caso de José Izídio é um exemplo de como o acesso ao atendimento especializado e a rapidez no diagnóstico podem fazer a diferença entre a vida e a morte”, destacou Ângelo Bomfim.

Agradecimento

Após a cirurgia, José foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para monitoramento. Com evolução positiva, retornou à enfermaria na Ala B e, poucos dias depois, recebeu alta hospitalar. Antes de sair, ele agradeceu ao HGE e à equipe pelo atendimento: "Me sinto como um homem de 20 anos. Não quero mais fumar, fumar não dá lucro para ninguém! Quando chegar em casa, vou comprar uma cadeira de balanço e me recuperar debaixo da árvore no meu sítio, para evitar complicações", compartilhou o agricultor.

Referência

Para o diretor médico Miquéias Damasceno, o caso reforça a importância do HGE como referência no atendimento de média e alta complexidade em Alagoas. Ele parabenizou as equipes e ressaltou o papel da regulação e da integração entre os serviços da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), que possibilitaram a transferência do paciente para a unidade adequada.

“O HGE dispõe de equipe especializada e tecnologia para atender casos graves como esse. A rapidez no acolhimento e na intervenção foi determinante para salvar a vida desse pai de família”, afirmou o diretor.