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Três cidades iniciam projeto-piloto de atendimento domiciliar a idosos
Batizado de Cuidando em Casa, o projeto tem início previsto para abril em Fortaleza. Juazeiro (BA) e Colombo (PR)
Famílias das comunidades periféricas de Fortaleza, como o Conjunto Palmeiras — região com o menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da capital cearense — passarão a receber visitas de profissionais de saúde e assistência social para triagem e implementação de um projeto-piloto nacional de atendimento domiciliar a idosos.
Batizado de Cuidando em Casa, o projeto tem início previsto para abril em Fortaleza. Juazeiro (BA) e Colombo (PR) também participam da fase inicial do programa, que beneficiará, inicialmente, 300 idosos em cada município.
Como em Fortaleza, o foco está em situações de maior vulnerabilidade.
Além do Conjunto Palmeiras, a comunidade da Barra do Ceará — que concentra o maior número de pessoas com mais de 65 anos na capital — também será contemplada.
“Há muitos idosos acamados nessas comunidades, cujos filhos precisam trabalhar. Muitas vezes deixam água e comida por perto, mas não conseguem garantir que eles se alimentem de fato”, explicou a vice-prefeita de Fortaleza, Gabriella Aguiar, que é geriatra, em entrevista à Agência Brasil.
O projeto-piloto conta com recursos do governo federal, do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e da Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA).
O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, destacou que a política pública visa ampliar a autonomia das pessoas idosas e reduzir a sobrecarga de quem assume o cuidado diário, geralmente mulheres.
“Hoje contamos com uma grande rede em todo o Brasil, atuando no cuidado de diferentes públicos, como pessoas idosas e populações em situação de vulnerabilidade”, afirmou o ministro, em reunião nesta quarta-feira (11), na sede do BID, em Brasília (DF).
A secretária nacional de Cuidados e Família do ministério, Laís Abramo, acrescentou que a experiência nas três cidades permitirá o aperfeiçoamento da proposta para todo o Brasil. Segundo ela, a iniciativa considera o processo de envelhecimento acelerado da população brasileira.
“Nossa intenção é que o atendimento domiciliar passe a integrar, de forma estruturada, o serviço de proteção social básica no domicílio”, ressaltou Laís Abramo.
Em Fortaleza, a população idosa é composta por 365 mil pessoas, o que representa 15% do município, sendo que a maioria está em situação de vulnerabilidade, de acordo com a vice-prefeita.
Cuidar de quem cuida
Segundo Vejuse Alencar, coordenadora especial da pessoa idosa em Fortaleza, a maioria das cuidadoras também é formada por pessoas idosas, que serão acolhidas pelo programa.
Na prática, as ações ocorrerão de forma multidisciplinar, com apoio das unidades básicas de saúde e dos centros de referência de assistência social.
“A grande maioria delas também já são mulheres idosas, que cuidam dos próprios pais idosos. Esse cuidado é muito exaustivo no cotidiano. Muitas vezes, elas dedicam mais de 20 horas à pessoa cuidada”, pondera.


