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Argentina vende carros de luxo com desconto de até R$ 200 mil; entenda
Corte de impostos promovida pelo presidente argentino Javier Milei faz com que modelos luxuosos tenham descontos médios de 15%
Carros de luxo passaram a registrar quedas significativas de preço na Argentina após mudanças na política tributária do país. Nos últimos dias, montadoras anunciaram reduções expressivas em modelos de alto valor, impulsionadas pelo fim de parte do imposto interno aplicado a veículos considerados de luxo.
Um dos exemplos é o Audi RS Q8, que teve o preço reduzido em cerca de US$ 37 mil (aproximadamente R$ 192 mil). O modelo passou a custar US$ 250 mil, o equivalente a cerca de R$ 1,3 milhão em conversão direta.
Outro caso é o do Ford Mustang GT, que agora é vendido por US$ 65 mil (cerca de R$ 338 mil). Antes, o preço no mercado argentino era de US$ 90 mil (aproximadamente R$ 470 mil), o que representa uma redução de US$ 25 mil.
Já o Ford Mustang Dark Horse — a mesma configuração comercializada no Brasil — passou a custar US$ 75 mil (cerca de R$ 390 mil). Anteriormente, o valor chegava a US$ 97 mil no país vizinho.
Outras marcas também anunciaram cortes relevantes nos preços. Modelos de fabricantes como Toyota, Lexus e Mercedes-Benz registraram descontos médios próximos de 15%.
Fim do “imposto do luxo”
A queda nos preços ocorre após a aprovação, no Senado argentino, do fim de parte do imposto interno aplicado a bens de alto valor, como veículos, embarcações e aeronaves. A medida foi aprovada no final de fevereiro junto com uma polêmica reforma trabalhista.
Conhecido como “imposto do luxo”, o tributo previa uma alíquota de 18% para carros que ultrapassassem 79 milhões de pesos argentinos (cerca de R$ 290 mil). Na prática, porém, a cobrança podia chegar a 21,95% devido à incidência conjunta de outros tributos.
O cálculo era feito sobre o valor do veículo ao chegar à concessionária, e não sobre o preço final pago pelo consumidor. Com a inclusão das margens das lojas, o imposto acabava incidindo, na prática, sobre carros vendidos por mais de 105 milhões de pesos (aproximadamente R$ 385 mil).
Em fevereiro de 2025, o presidente Javier Milei já havia reduzido parte dos impostos internos que incidiam sobre veículos de faixa intermediária.
Segundo o tributarista argentino Sebastián M. Domínguez, o tributo foi utilizado durante anos como instrumento de política monetária. “Esse imposto era aplicado em um contexto em que havia grande diferença entre o dólar oficial e o dólar paralelo”, explicou.
Ele lembra que, durante o governo da ex-presidente Cristina Kirchner, as alíquotas foram elevadas com a justificativa de proteger o mercado local e evitar fuga de divisas. Em alguns casos, a taxa nominal de 35% podia alcançar até 50% por causa das distorções cambiais.
Mercado tenta reagir
O setor automotivo argentino enfrenta um período de vendas fracas desde o final de 2025. A retração no consumo também impactou a indústria brasileira, já que a Argentina é um dos principais destinos de exportação de veículos produzidos no Brasil.
Especialistas acreditam que a redução de impostos pode provocar uma queda em cadeia nos preços e estimular o mercado, incluindo o segmento de carros usados.
Embora a isenção do tributo passe a valer oficialmente a partir de 1º de abril, diversas montadoras já começaram a anunciar novas tabelas de preços e entregas para os próximos meses.
Algumas empresas ainda não divulgaram ajustes. Entre elas estão Alfa Romeo, BMW, Land Rover, Porsche e Volvo.
Para o setor, a expectativa é que a redução tributária ajude a reaquecer a economia. A Associação de Fabricantes de Automóveis da Argentina afirmou que a eliminação do imposto representa um avanço para o mercado automotivo, pois corrige distorções na formação de preços e devolve previsibilidade às montadoras e à cadeia produtiva.
*Com informações do G1


