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Tatupeba pode transmitir hanseníase, segundo IMA; veja os cuidados

Risco para seres humanos está associado à prática ilegal de caça e consumo da carne do animal silvestre

Por Agência Alagoas 22/01/2026 15h03
Tatupeba pode transmitir hanseníase, segundo IMA; veja os cuidados
Conhecido como papa-defunto, o tatupeba pode se alimentar de matéria orgânica em decomposição - Foto: Blake Matheson

Janeiro é marcado pela campanha Janeiro Roxo, dedicada à conscientização e ao combate à hanseníase, doença infectocontagiosa que se propaga principalmente pelo contato próximo com pessoas infectadas. O Instituto do Meio Ambiente do Estado de Alagoas (IMA/AL) e a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) alertam para um fator adicional de risco: a transmissão da doença por meio de animais silvestres, como o tatupeba (Euphractus sexcinctus), espécie endêmica da região Nordeste.

Conhecido popularmente como papa-defunto, o tatupeba se alimenta de insetos, frutas e também de matéria orgânica em decomposição, ambiente propício à presença das bactérias causadoras da hanseníase. O risco para seres humanos está associado, principalmente, à prática ilegal de caça e consumo da carne desse animal.

“O consumo do tatupeba, além de crime ambiental, representa um risco real à saúde, pois pode favorecer a contaminação pela hanseníase”, alerta o médico veterinário do IMA, Gabriel Marques.

O especialista reforça a importância de evitar qualquer contato com a espécie e orienta que, ao encontrar um tatupeba, a população acione órgãos competentes como o Batalhão de Polícia Ambiental (BPA) e o próprio IMA. Os animais resgatados são encaminhados ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), gerido pelo IMA/AL em parceria com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), onde recebem cuidados antes de serem devolvidos à natureza ou a empreendimentos de fauna.

“No Cetas, todos os procedimentos são realizados com uso de equipamentos de proteção individual (EPI), evitando o contato direto e reduzindo o risco de transmissão da doença”, explica Gabriel Marques.

O IMA/AL orienta que, em casos de suspeita de caça ilegal, maus-tratos ou acidentes envolvendo animais silvestres, o Batalhão de Polícia Ambiental deve ser acionado para o resgate e encaminhamento adequado. Denúncias podem ser feitas pelo telefone (82) 3315-4325 ou via WhatsApp: (82) 98833-5879.

Sobre o tatupeba

O tatupeba (Euphractus sexcinctus) é conhecido também como papa-defunto, peba, peludo, tatu-cascudo, tatu-de-mão-amarela, tatu-peludo, tatupeva e tatupoiú. Trata-se de uma espécie de tatu encontrada em grande parte do Brasil, além de países como Argentina, Paraguai, Uruguai, Bolívia e Suriname.

Hanseníase tem tratamento e cura

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) destaca que a principal forma de prevenção da hanseníase é o diagnóstico precoce e o controle do contato com pessoas infectadas. O tratamento é garantido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com medicamentos distribuídos exclusivamente pela rede pública e não disponíveis em farmácias.

“A hanseníase é uma doença antiga, mas ainda cercada de estigma. Ela se manifesta por meio de manchas esbranquiçadas ou avermelhadas na pele, comprometimento dos nervos periféricos, perda de sensibilidade, formigamento nas extremidades e nódulos dolorosos pelo corpo. É fundamental buscar atendimento médico regular”, orienta Itanielly Queiroz, assessora técnica do Programa Estadual de Vigilância e Eliminação da Hanseníase da Sesau.