Geral

Desembargador do TJAL anuncia pedido de aposentadoria e divulga crítica na redes sociais

Márcio Roberto Albuquerque divulgou um manifesto crítico sobre independência judicial no dia 1º de janeiro

Por Redação 02/01/2026 14h02 - Atualizado em 02/01/2026 15h03
Desembargador do TJAL anuncia pedido de aposentadoria e divulga crítica na redes sociais
Desembargador Márcio Roberto anunciou aposentadoria nas redes sociais - Foto: Reprodução/Instagram

O desembargador do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL) Márcio Roberto Albuquerque anunciou, nessa quinta-feira (1º), por meio das redes sociais, que solicitou aposentadoria do cargo. A decisão foi tornada pública em um texto extenso, divulgado no primeiro dia de 2026, no qual o magistrado apresenta um manifesto com críticas ao ambiente institucional e reafirma sua independência funcional.

Intitulado “Altivez institucional e urbanidade recíproca: um manifesto de independência e simetria”, o pronunciamento afirma que a decisão de deixar o Poder Judiciário não decorre de desgaste profissional ou perda de vocação. 

Segundo o desembargador, seu gabinete teria sido o mais produtivo da Corte em 2025, com volume de julgamentos superior à média, apesar de, conforme relata, condições físicas consideradas inadequadas.

No texto, Márcio Roberto Albuquerque declara manter respeito ao Tribunal de Justiça de Alagoas, ao presidente da Corte e aos demais desembargadores, mas afirma que passará a adotar postura de maior distanciamento institucional até a conclusão definitiva do processo de aposentadoria, que, segundo ele, deve ocorrer nos próximos dias.

"Minha conduta doravante será pautada pela urbanidade protocolar, limitando o diálogo ao estritamente necessário, até que decida em definitivo pedir minha aposentação, o que espero seja nos próximos dias. A reciprocidade será, daqui por diante, o fiel da minha balança sócio institucional. Aos que se julgam divinos, ofereço o silêncio do respeito institucional", disse ele em um trecho do pronunciamento.

O magistrado também critica comportamentos que classifica como excessos de autoridade e defende que a toga represente uma responsabilidade temporária, e não um símbolo de superioridade. 

Ao final da manifestação, afirma que pretende deixar o Judiciário de forma breve, sem apego ao cargo.Até o momento, o TJAL não se pronunciou oficialmente sobre o anúncio.