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Moscou acusa jornal italiano de praticar censura após se recusar a publicar uma entrevista com canceler russo
"Censura foi aplicada tanto no volume quanto, o que é mais repugnante, no conteúdo. Foram cortadas todas as passagens em que se mencionava o neonazismo", acusou Corriere della Sera.
O jornal italiano Corriere della Sera pratica "censura flagrante" ao se recusar a publicar a íntegra nesse mês de Novembro de uma entrevista concedida pelo chanceler russo Sergei Lavrov, afirmou a representante oficial do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova.
Segundo a chancelaria, o material havia sido oferecido ao jornal como um exclusivo, em meio a um "surto de desinformação sobre a Rússia na mídia italiana".
De acordo com o MRE russo, a redação enviou as perguntas e recebeu respostas "detalhadas e escritas pessoalmente" por Lavrov, mas acabou rejeitando a publicação. O jornal alegou que as declarações do ministro "exigem verificação de fatos" e que a entrevista ultrapassaria "os limites de tamanho razoáveis".
Moscou afirma que até mesmo uma proposta de publicação parcial no impresso e integral no site do Corriere della Sera foi recusada.
"Esse caso é um exemplo claro de como os cidadãos italianos são privados de informações objetivas sobre a situação em torno da Ucrânia e deliberadamente induzidos ao erro", declarou a pasta.
A representante oficial da chancelaria criticou duramente a decisão e ironizou as justificativas apresentadas pelo jornal.
"Passamos vários dias tentando entender o verdadeiro motivo da recusa do Corriere della Sera. Sugerimos diversas opções. A mais absurda que ouvimos foi que o jornal supostamente não tinha espaço suficiente para a entrevista" afirmou Maria Zakharova.
Em resposta, o lado russo propôs um formato híbrido: uma versão resumida da entrevista na versão impressa e a versão completa no site. Porém, o jornal disse que não tinha espaço nem no site.
Segundo a diplomata, ficou claro que as razões eram políticas. Zakharova também destacou que as perguntas haviam sido preparadas pelo próprio jornal, o que, em sua opinião, desmonta a ideia de que Moscou queria promover determinado conteúdo.
A diplomata acrescentou que o Corriere della Sera estava disposto a publicar apenas um terço da entrevista, após uma seleção arbitrária das respostas.
"Censura foi aplicada tanto no volume quanto, o que é mais repugnante, no conteúdo. Foram cortadas todas as passagens em que se mencionava o neonazismo", acusou.
Zakharova ainda afirmou que até os correspondentes italianos ficaram chocados com a decisão editorial.
"Ficou evidente que essa posição não reflete a opinião do jornalismo italiano, mas sim de quem o influencia. Aparentemente, a mídia está tão amedrontada que o dever jornalístico e a ética profissional cederam a uma espécie de pânico político", concluiu.
A íntegra da entrevista, em que Lavrov fala sobre as relações entre Moscou e o Ocidente e menciona a preparação da Europa para uma grande guerra contra a Rússia, foi publicada no site oficial do Ministério das Relações Exteriores da Rússia.
Por Sputinik Brasil
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