Geral
Mais de 389 mil domicílios descartam esgoto de forma irregular, revela IBGE
Estado tem índice de esgotamento sanitário 146% acima da média nacional; capital também enfrenta desafios Mais de um terço dos domicílios em Alagoas — cerca de 389 mil — ainda descartam esgoto de forma inadequada, segundo dados da PNAD Contínua

Mais de um terço dos domicílios em Alagoas — cerca de 389 mil — ainda descartam esgoto de forma inadequada, segundo dados da PNAD Contínua divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento, que considera informações atualizadas com base no Censo Demográfico de 2022, revela que o estado enfrenta um dos piores cenários de saneamento básico do país.
O percentual de domicílios com esgotamento sanitário irregular em Alagoas (35,5%) é 146% superior à média nacional (14,4%) e 41% acima da média da região Nordeste (25,1%). Apenas Sergipe (39,1%), Maranhão (38,1%) e Piauí (35,9%) apresentam índices piores.
Capital também sofre
Em Maceió, dos 363 mil domicílios registrados, 74 mil (20,4%) ainda utilizam fossas rudimentares ou despejam esgoto diretamente em corpos d’água. Apenas 47,4% estão conectados à rede geral de esgoto, enquanto 8,9% possuem fossa séptica ligada à rede e 23,2% utilizam fossas sépticas isoladas.
Coleta de lixo avança, mas queima persiste
Apesar dos desafios no esgotamento, Alagoas apresentou melhora significativa na coleta de lixo. Em 2024, 89,7% dos domicílios contavam com coleta regular — 80,9% diretamente na propriedade e 8,8% por caçamba. Maceió lidera com 98,5% de cobertura, sendo 92,1% por coleta direta.
Por outro lado, cerca de 101 mil domicílios (9,2%) ainda praticam a queima de lixo, especialmente em áreas rurais. No Brasil, essa prática atinge 6,1% dos domicílios, com Norte (14,4%) e Nordeste (13,1%) concentrando os maiores índices.
Abastecimento desigual
O abastecimento de água também apresenta disparidades. Em Alagoas, 73,1% dos domicílios estão conectados à rede geral, abaixo da média nacional (86,3%). A diferença entre áreas urbanas (82,4%) e rurais (33,7%) é expressiva. Em Maceió, 88,7% dos domicílios recebem água diariamente.
Perfil habitacional
O estudo mostra que 65,4% dos domicílios alagoanos são próprios quitados, 21,2% alugados, 3,5% em pagamento e 9,8% cedidos. Casas representam 94% das moradias, e apartamentos, 5,9%. Maceió concentra 29% das casas e 90% dos apartamentos do estado.
Sobre a pesquisa
A PNAD Contínua é uma pesquisa amostral realizada pelo IBGE e reúne dados sobre condições de moradia, saneamento, abastecimento, energia elétrica e perfil dos moradores. Os dados estão disponíveis no site do IBGE: www.ibge.gov.br.
