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''Prefeito não tem coragem de mandar limpar’’: moradores da periferia reclamam do acúmulo de lixo

População diz que lixo acumulado traz mal cheiro e doenças; prefeitura alega que coleta é feita regularmente

Por Ruan Teixeira 21/11/2023 15h03 - Atualizado em 21/11/2023 16h04
''Prefeito não tem coragem de mandar limpar’’: moradores da periferia reclamam do acúmulo de lixo
Trabalhador e porcos em meio ao lixo, disputam, cada um à sua maneira, a próxima refeição - Foto: Paulo Bugarin

Indignação e revolta são sentimentos em comum que moradores do Vergel do Lago e do Vale do Reginaldo sentem ao presenciar o acúmulo de lixo depositado a céu aberto em algumas regiões dos bairros. A reportagem do Jornal de Alagoas esteve nos locais o e notou o quanto a ausência de políticas ambientais prejudicam os moradores. 

Jennifer Beatriz, de 22 anos, está desempregada e mora em uma casa na Avenida Senador Rui Palmeira, grande via que cruza os bairros da Levada, Vergel do Lago e Trapiche, às margens da Lagoa Mundaú, Zona Sul da capital alagoana. 

Ela reclama da sujeira em frente a sua residência e questiona o porquê que o poder público e, em especial, a atual gestão da Prefeitura de Maceió, não “olha” para os bairros mais pobres. 

Acúmulo de lixo na região virou comida para porcos. Foto: Paulo Bugarin
Acúmulo de lixo na região virou comida para porcos. Foto: Paulo Bugarin

‘’O lixo incomoda todo mundo e o prefeito não tem a coragem de mandar o povo limpar a praça que as crianças brincam, não tem um brinquedo bom, não tem nada. Mas o pior ainda é o lixo que incomoda todos. É porco, cachorro morto, é gato e a prefeitura não faz a parte dela’’, desabafou. 

Ainda no desabafo, ela diz que “os gestores só estão na Pajuçara, Ponta Verde, mas no Vergel o povo é esquecido”. 

Os tapumes que separam as obras ainda não concluídas do residencial Parque da Lagoa, que abriga moradores da antiga Favela Sururu de Capote, que ocupava, desordenadamente, a região da beira da lagoa, agora são paredes para “montanhas de lixo”. Nelas, homens e porcos fazem uma disputa, cada um à sua maneira, pela próxima refeição. 

O aposentado Cícero Basílio, de 68 anos, é morador do bairro há mais de 30 anos. Ele se mostra revoltado com a sujeira que, para ele, deveria ser retirada de uma vez por todas. ‘’Isso é um absurdo, a prefeitura deveria tirar isso tudo de uma vez por todas. O pessoal vem recolher o lixo vez ou outra, mas teria de ser todos dias’’, reclamou. 

Ao chegar no Vale do Reginaldo, a reportagem se deparou com uma situação semelhante, só que desta vez, crianças brincavam ao redor do lixo. 

Luciana Ramos, de 44 anos, pasteleira no bairro, diz que perdeu parte da clientela por conta do lixo presente em frente ao seu local de trabalho. 

‘’Os clientes chegam aqui e está o fedor, ontem mesmo tinha até galinha e outros animais mortos. Os coletores retiram o lixo um dia sim, ou outro não. Tudo bem que é essencial que a população faça a sua parte, mas a prefeitura tem de colaborar’’, aponta. 

Lixo em frente à barraca de pastel e batata frita de Luciana. Foto: Paulo Bugarin
Lixo em frente à barraca de pastel e batata frita de Luciana. Foto: Paulo Bugarin

Uma das clientes da pastelaria, Valdete Ferreira, de 54 anos, é amiga de Luciana e estava presente na ocasião, quando fez questão de falar com a reportagem e informar que o local é ‘’horrível e fede muito’’. 

‘’O problema é recorrente, aqui a gente vê as crianças brincando perto do lixo, e os riscos de doenças por aqui aumentam. A prefeitura não está agindo corretamente, é necessário a retirada do lixo todos os dias’’, lamentou. 

Em nota, a Autarquia Municipal de Desenvolvimento Sustentável e Limpeza Urbana (ALURB) informou que os locais são limpos constantemente pelo órgão e diz que a população segue realizando descarte irregular de lixo, ignorando a coleta domiciliar que atende as regiões.

Veja a nota completa:


A Autarquia Municipal de Desenvolvimento Sustentável e Limpeza Urbana (ALURB) informa que os locais são limpos constantemente pelo órgão. No entanto, a população segue realizando o descarte irregular, ignorando a coleta domiciliar que atende as regiões normalmente e os serviços ofertados pela Prefeitura de forma gratuita. 

Inclusive, em ambos os bairros, a Autarquia realizou a revitalização de uma área que antes era mapeadas como ponto de lixo, devolvendo-as à população como um local sustentável, com o plantio de mudas de árvores nativas e paisagismo. 

Para fazer denúncias e solicitações, o cidadão deve ligar diretamente nos canais da Central de Monitoramento da ALURB, que atende pelo 0800 082 2600, pelo número 156 ou pelo WhatsApp 98802-4834.